Publicado 23 de Maio de 2019 - 7h50

Por Adriana Giachinni

Alunos que fazem o plantio de mudas nativas podem acompanhar o desenvolvimento via aplicativo

Divulgação

Alunos que fazem o plantio de mudas nativas podem acompanhar o desenvolvimento via aplicativo

Em 2018, o chef Ricardo Barreira e seus familiares iniciaram um amplo projeto de sustentabilidade com foco na educação ambiental e na recuperação de uma grande área rural com fragmento de mata nativa, no Distrito de Joaquim Egídio. O lugar foi adquirido há meio século pela família. Engloba 160 mil m2 (de um total de 300 mil) e fica em Área de Proteção Ambiental (APA). Como já recebeu cultura de café e posteriormente foi usado de pasto, acarretando na interrupção natural da ciclagem dos nutrientes, o solo tornou-se pobre.

Diante desse cenário, uma ideia surgiu: promover a recuperação da vegetação e a preservação do solo. Em seguida, veio a missão: trabalhar a conscientização das crianças — nossas gerações futuras — por meio da experiência em ambiente natural e demonstração da importância da preservação ambiental. Assim surgiu o projeto Vila Educa, do restaurante Vila Paraíso, voltado para crianças de instituições de ensino, tanto de Campinas como de cidades vizinhas. Trata-se de uma proposta de prática pedagógica relacionada à preservação ambiental, denominado o Estudo do Meio.

Crianças participantes do projeto Vila Educa têm a vivência dos conceitos estudados em sala relacionados às ciências naturais, com o acréscimo da conscientização ambiental

O Vila Educa é um programa que foi integralmente desenvolvido com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais — PCNs e BNCC — para atender à grade curricular das instituições de ensino. Orienta questões de ordem científica e sociais que, por sua vez, visam o Estudo do Meio de Ciências Naturais e Educação Ambiental por meio de visitas monitoradas e pré-agendadas, desenvolvidas de segunda a sexta-feira. O objetivo é a compatibilização e vivência dos conceitos estudados em sala de aula pertencentes à disciplina de ciências naturais, bem como sua transversalidade em educação ambiental, colaborando no desenvolvimento da criticidade de cidadãos mais conscientes.

"Em função da pluralidade conceitual que o projeto apresenta, o Vila Educa Week possui flexibilidade e autonomia para ser aplicado a todos os anos letivos e grupo de pessoas interessadas nas ações pedagógicas e reflexivas proporcionadas através das obras educacionais", explica Paula Arnoldi, bióloga responsável pelo projeto.

Antes do Vila Educa ser uma realidade, a família isolou a propriedade do gado, visando o processo de regeneração natural da área. Posteriormente, investiu no plantio de árvores nativas em áreas de clareira — já foram cerca de 220 plantas —, além da recuperação de galerias pluviais que acarretavam o assoreamento a área. “Com as recentes alterações na legislação, achamos que era a hora de recuperarmos esta área, preservar o corpo d'água que percorre toda propriedade, sendo afluente do Ribeirão Cachoeira, um recurso hídrico de grande importância para o município”, conta Ricardo Barreira, chef do Restaurante Vila Paraíso, fundado há 18 anos por seu pais. “Estamos impactando de forma positiva todos os recursos naturais, a água, o clima, e o ar não só da propriedade, mas como do entorno”, afirma Barreira.

Parcerias

Estimular o envolvimento de crianças com a preservação do meio ambiente; ensiná-las de maneira prática sobre a dinâmica florestal e conceitos cíclicos da natureza, e desenvolver ações para diminuir impactos de emissão de dióxido de carbono na atmosfera formaram os objetivos centrais do Estudo do Meio proposto recentemente pelo Projeto Vila Educa junto à Escola Comunitária. Foram envolvidos 170 alunos do 3º Ano do Ensino Fundamental I no município de Campinas.

Por meio do Estudo do Meio, crianças de 8 e 9 anos de idade concretizaram o projeto “Amigos do C02”, destinado à Escola Comunitária de Campinas, realizando o plantio de 150 mudas de espécies nativas em propriedade particular — local sede do Vila Educa. Dentre a relação de espécies, destacam-se o Pau Ferro, Pau D’Álho, Paineira, Aroeira Pimenteira, Quaresmeira, Jaracatiá, entre outras.

No período de um ano, todos os envolvidos poderão acompanhar através de um aplicativo o crescimento e o estado de saúde das mudas que foram plantadas, garantindo que a ação fortaleça relações benéficas das crianças para com a natureza. Na área que anteriormente era caracterizada apenas por capim colonião, por iniciativa espontânea, criou-se este projeto envolvendo crianças a fim de praticar educação ambiental e colaborar com a preservação da biodiversidade.

“Além de aprenderem a disciplina de ciências naturais por meio da vivência, o plantio de mudas nativas realizado junto com as crianças tem a proposta de fazer elas se sentirem responsáveis por uma ação que beneficia um ecossistema. Outro fator interessante é que esta ação colabora em neutralizar a emissão de dióxido de carbono para atmosfera emitido inevitavelmente em função do deslocamento até o Vila Educa. Estes são apenas alguns índices pontuados, podendo estender quanto à recuperação ambiental de uma área, conexão dos corredores ecológicos e aumento da biodiversidade”, explica a bióloga e educadora ambiental Paula Arnoldi, responsável pelo Projeto Vila Educa.

Desafio é reciclar 99% dos resíduos de estabelecimentos

Em 2010, foi iniciado um projeto ambicioso no Restaurante Vila Paraíso, que tem como meta a reciclagem de 99% de todos os produtos orgânicos e de resíduos utilizados na casa. Agora, o projeto se estende as duas unidades da Padoca do Vila - uma em Joaquim Egídio, na mesma propriedade da família, e outra no Parque Taquaral. Atualmente, 35% dos resíduos como óleo da cozinha, vidros, papelão e garrafas pet já são separados, reciclados e encaminhados para cooperativas, para um destino ambiental correto.

No caso das pets e das bandejas de ovos, estão sendo reaproveitadas pelo próprio restaurante. Depois de lavados e limpos, se transformam em berçários de mudas de hortaliças e frutas, que são plantados em seis hortas criadas pelo estabelecimento. Parte da produção é utilizadas nas refeições servidas pelo projeto Vila Educa e parte deverá ser utilizada para consumo do próprio restaurante nos próximos meses

Isso significa, de acordo a gerente de marketing das casas, Fernanda Barreira, cerca de duas toneladas de produtos que deixam de ir para aterros ou lugares impróprios, não agredindo o meio ambiente. “Trabalhamos com uma meta de atingirmos 99% de reciclagem nos próximos anos. O 1% restante é lixo de banheiro, que não conseguimos dar um destino ambiental mais correto”, explica Fernanda.

A gerente de Marketing conta, ainda, que os funcionários do restaurante e das padocas também estão sendo treinados para dar um destino correto aos resíduos. “Já fazemos a separação de cada produto, destinando os mesmos para a reciclagem, feita por parceiros. O próximo passo é iniciar uma campanha de conscientização junto aos frequentadores das casas, para que eles também possam participar desse processo de transformação e conscientização da importância de se preservar o meio ambiente”.

Escrito por:

Adriana Giachinni