Publicado 23 de Maio de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

Hoje comentaristas, os ex-jogadores Fábio Luciano e Zé Elias têm criticado com frequência os técnicos que, com frequência maior ainda, andam escalando times reservas para poupar jogadores que, teoricamente, estariam fisicamente desgastados e, portanto, expostos a um risco maior de lesões.

O ex-zagueiro e o ex-volante não são os únicos analistas com esse posicionamento, mas o fato de terem jogado durante tantos anos dá mais peso às críticas.

Os dois se referem a grandes clubes, que possuem elencos qualificados e disputam duas ou três competições simultâneas, uma delas internacional. Ainda assim, ambos acham que os jogadores têm descansado demais.

Eu já estava para escrever sobre o tema, abordando a estratégia dos clubes da Série A. Mas a escalação do Guarani contra o Criciúma traz o assunto para Campinas.

Vinícius Eutrópio fez três mudanças na equipe. Em todas, a justificativa foi de que os atletas que deixaram o time estavam desgastados.

Na prática, as mudanças não surtiram efeito. O primeiro tempo do Bugre foi sofrível (em especial a performance da defesa, que teve duas alterações) e o fraco desempenho nos minutos iniciais foi determinante para a derrota por 1 a 0 diante de um time que ainda não havia vencido nenhuma partida.

O Guarani teve um mês de preparação para a Série B, única competição que vai disputar até o fim do ano. Será mesmo que havia a necessidade de poupar três jogadores de uma vez?

Vamos ignorar as trocas de Lenon e Mateusinho por Léo Príncipe e Deivid Souza. Afinal, titulares deram lugar a companheiros da mesma posição. Mas é difícil de entender o que Eutrópio planejou ao improvisar o zagueiro Giaretta no lugar de Inácio, um lateral-esquerdo.

Se a intenção era “reforçar a defesa”, a estratégia foi um desastre. O time levou um gol logo aos 10’ e desde então o Guarani precisou atacar, missão na qual Giaretta é incapaz de ajudar.

Do meio de campo para frente, ele alterna passes errados e passes curtos de lado. Não tem velocidade para chegar à linha de fundo, não sabe driblar e é fraco no cruzamento. Tudo isso é compreensível, já que se trata de um zagueiro. Colocá-lo na lateral para poupar um atleta de 23 anos foi um notório erro do treinador.

Isso para não falar em Bidu, boa opção da base que até o momento vem sendo ignorado por Eutrópio.

O Guarani não tem um elenco qualificado como o do Flamengo e não disputa três competições como o Palmeiras. E também não pode se dar ao luxo de perder pontos no início da competição como o Grêmio porque Eutrópio não tem, como Renato Gaúcho, a certeza de que o time vai se recuperar e subir na tabela. Em outras palavras, ainda que houvesse necessidade — o que não parece ser o caso — poupar atletas não é uma opção para um clube com a estrutura do Guarani.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho