Publicado 18 de Abril de 2019 - 18h04

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Cedoc

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Enquanto o Brasil registra uma média de duas mil mortes de mulheres por ano durante o parto – principalmente por causa da estrutura deficiente dos complexos hospitalares – a cidade de Campinas, ao contrário, contabiliza números elogiáveis. Por aqui, a média anual está em 30 mortes para cada 100 mil habitantes, um índice muito abaixo do limite preconizado pelo Ministério da Saúde que é de 40 mortes para cada 100 mil habitantes. Se comparado a realidade brasileira, os índices são ainda melhores.

Segundo dados dos Indicadores de Desenvolvimento Global do Banco Mundial, para cada 100 mil nascidos, 69 mulheres morrem, em média, no parto ou no puerpério (período pós-parto de 42 dias) no Brasil. Trata-se de um índice duas vezes maior do que o registrado na cidade. Ao todo, nove mulheres morreram por causas relacionadas ou agravadas pelo parto ou puerpério em Campinas nos últimos dois anos – cinco em 2018 e quatro em 2017.

Trata-se de um índice “baixíssimo”, na avaliação do ginecologista, obstetra e presidente da Maternidade de Campinas, Carlos Eduardo Martins. Segundo ele, as principais causas de morte materna são: a hipertensão gestacional, hipertensão alta e diabetes elevada e a hemorragia pós-parto. Curiosamente, todas elas, formas de morrer que estão ligadas diretamente a falta de cuidados das mães antes e durante a gestação.

“É preciso sempre fazer um planejamento antes de engravidar e isso envolve, principalmente, a realização de um pré-natal bem-feito. Tem casos de mulheres que chegam na Maternidade e a gente descobre que fizeram apenas duas consultas de pré-natal durante os nove meses. Isso não tem cabimento”, afirma Martins.

Segundo o especialista, as mães precisam, ao engravidar, se preocupar com a própria saúde para evitar complicações para dar a luz de forma saudável e sem riscos. Para isso, ele recomenda as mulheres procurarem um ginecologista e façam exames regularmente. “É importante realizam uma avalização mensal no começo. Depois de 28 semanas de gravidez, a consulta deve ser feita a cada 15 dias”, alerta. “Se descobrir algum problema de saúde, tem que procurar tratar. É importante também verificar se as imunizações estão em dia também”, ressaltou.

Índices Nacionais

No Brasil, acontecem quase 2 mil mortes obstétricas por ano, segundo o levantamento da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), usando como base o DataSUS – uma plataforma de dados e estatísticas do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a pesquisa, foram 1.917 óbitos maternos em 2015, enquanto em 2016 ocorreram 1.829 mortes de mulheres durante e após o parto. Os períodos que constam no levantamento são os mais recentes disponibilizados pelo SUS.

O estudo também mostra que uma em cada 30 crianças morrem antes de completar o primeiro ano de idade. De acordo com a Anadem, as condições encontradas nas estruturas de saúde são algumas das principais causas para este cenário. “Alertar para a infraestrutura precária da saúde no Brasil serve para as mais importantes pautas de qualquer política adotada pelos gestores públicos”, afirma Raul Canal, presidente da Sociedade.

Já sobre a mortalidade de recém-nascidos, o DataSUS mostra que, anualmente, mais de 3% das crianças no Brasil morrem em seu primeiro ano de vida. Somente em 2018, foram 18,8 mil mortes. “Em um país em que se discute a previdência por notar o envelhecimento da população, não se pode deixar tantas vidas se perderem em seus primeiros meses. É um gravíssimo erro de saúde pública e até de estratégia financeira”, pontua Canal.

Pelo Mundo

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo, via Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), sobre água, saneamento e higiene nos hospitais pelo mundo. Trecho deste levantamento aponta que 15% das mulheres têm complicações pós-parto, causando 303 mil mortes por ano no mundo, sendo 99% de falecimentos em países de baixa renda. Estes dados foram apontados pelo grupo Evitando Morte Materna e Deficiência (AMDD, em inglês), da Escola de Saúde pública da Universidade de Columbia Mailman.

A OMS ainda apresentou que a precarização da higiene nas estruturas de saúde matou pelo menos 900 mil recém-nascidos em todo o planeta, enquanto os números gerais de mortes de bebês estão em torno de 2,7 milhões anuais. A análise da organização aponta também que, cerca de 20% dos hospitais em todo o mundo, não contam sequer com banheiros adequados e que um montante de 1,5 bilhão de pessoas no mundo são afetadas com a falta de estrutura.

SAIBA MAIS

A fim de chamar a atenção para a vulnerabilidade da saúde feminina no mundo, 28 de maio foi escolhido como Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher. No Brasil, a data também representa o Dia Nacional pela Redução da Morte.

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Adagoberto F. Baptista