Publicado 18 de Abril de 2019 - 5h30

O bacalhau está, literalmente, mais salgado nesta Páscoa. Além da típica alta de preços nos dias anteriores ao feriado, o produto sofreu aumento que varia de 20% a 23% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme projeção da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Nada que intimide a procura dos campineiros. Desde o começo da semana, o movimento tem sido intenso nos mercados da cidade, mesmo com os preços que chegam a até R$ 99 o quilo, no caso do lombo do Cod Gadus Morhua, o tipo mais nobre de bacalhau.

O comerciante Cláudio Roberto Attilio trabalha há 30 anos no Mercado Campineiro, na Rua Barão de Jaguara, e afirma que o bacalhau é o carro-chefe de sua mercearia nessa época do ano. "Em meses normais eu vendo 50 quilos, mas em mês festivo, de Páscoa, passa de 5 toneladas", celebra. Ele admite que os preços estão maiores, mas alega não ter notado diferença no interesse da clientela. "Pelo que estou vend, acho que vai faltar bacalhau", diz.

Valdeci Rosa Marçal, que também tem uma banca no Mercado Campineiro, tem notado uma mudança no perfil do consumidor: se o preço pesar no bolso, a opção é diminuir a quantidade, mas não deixar faltar bacalhau na mesa nesta semana. "O povo até fala que está caro, mas quando chega na hora, compra, mesmo que em menor quantidade que costumava comprar", conta.

Outra alternativa para quem pensa em economizar nesta Páscoa é ratear custos. O representante comercial Carlos Nascimento, de 55 anos, por exemplo, fez uma compra de R$ 673,29 por 7,5kg de bacalhau. Mas não pense que ele vai pagar essa conta sozinho. "Vamos estar reunidos em 25 pessoas, todos familiares. Faremos um racha nos valores, então não fica pesado para ninguém. O importante é manter a tradição de preparar um almoço especial nesta data."

O diretor regional da Apas, José Luís Alves de Matos, explica que o bacalhau chega ao mercado brasileiro principalmente por importação, o que aumenta os preços devido ao câmbio. "É um produto diretamente ligado à inflação e ao dólar". Como opção, o consumidor poderá recorrer a peixes nacionais, como cação, sardinha e pescada. "Na Sexta-Feira Santa eu nunca como carne, e como o bacalhau está caro demais, vou preparar uma pescada", comenta a dona de casa Crislaine Regina, de 64 anos.

Bacalhoada

Neste ano, os itens usados na bacalhoada também estão mais caros. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) aponta que a batata inglesa teve reajuste de 72,63% em relação à Páscoa de 2018. A alta é justificada pelo clima chuvoso , que prejudicou a safra. Outros alimentos que estão mais caros são o pimentão (31,63%) e a cebola (20,71%).

Vendas

A venda de chocolates e pescados para a Páscoa deve movimentar R$ 269 milhões no comércio de Campinas neste ano, segundo a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic). A previsão é de faturamento apenas 2% maior em relação à data em 2018, abaixo da inflação e da expectativa do varejo. Na RMC, as vendas devem alcançar R$ 533 milhões.