Publicado 17 de Abril de 2019 - 17h20

Por AFP

O ex-presidente peruano Alan García morreu nesta quarta-feira (17) em consequência de um ferimento a bala na cabeça depois que ele tentou se matar em sua casa, pouco antes de ser detido pela polícia em um caso vinculado ao escândalo Odebrecht. Após o disparo, o político de 69 anos foi levado ao Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima, onde foi atendido, informou o advogado do ex-chefe de Estado, Erasmo Reyna.Na emergência, foi constado um ferimento na cabeça e por isso foi imediatamente submetido a uma operação, durante a qual sofreu três paradas cardíacas, segundo os médicos que o atenderam."Lamentamos informar o falecimento do ex-presidente Alan García às 10H05 horas locais (12H05 de Brasília) por hemorragia cerebral massiva por projétil de arma de fogo e parada cardiorrespiratória", comunicou o ministério da Saúde.O secretário particular do ex-presidente, Ricardo Pinedo, confirmou que García tinha entre quatro e cinco armas em casa que recebeu de presente do Comando Conjunto das Forças Armadas. "Eu mesmo cuidei das licenças", acrescentou.De acordo com a polícia, o ex-dirigente utilizou uma dessas armas no suicídio. Após o anúncio, dezenas de simpatizantes foram à porta do hospital e lamentaram a morte do político, sob a vigilância dos policiais."O presidente García tomou uma decisão de dignidade e de honra. Um ato de honra diante de uma perseguição fascista", destacou Mauricio Mulder, congressista da Apra, o partido mais antigo do Peru, ao qual pertencia o ex-presidente. Mulder acrescentou que García será velado na sede da Apra, na capital peruana.- Reações -O atual presidente do Peru, Martín Vizcarra, comentou no Twitter: "Consternado pelo falecimento do ex-presidente Alan García. Envio minhas condolências à família e entes queridos"."Com muita tristeza recebo a notícia da trágica partida do ex-presidente Alan García Pérez", postou na mesma rede social Keiko Fujimori, líder da oposição, em prisão preventiva por 36 meses por conta do caso Odebrecht.Ao ser informado sobre a morte de García, o presidente do Equador, Lenín Moreno, disse "cada um escolhe a forma de viver e também a forma de morrer", numa declaração à imprensa em Washington, onde participa de uma sessão na Organização de Estados Americanos (OEA). - O momento da tragédia - Por volta das 06H30 (08H30 de Brasília), a polícia foi à casa de García no distrito de Miraflores, em Lima, para apresentar ao ex-presidente (1985-1990 y 2006-2011) uma ordem de prisão preventiva por lavagem de dinheiro no caso Odebrecht. Segundo o ministro do Interior, Carlos Morán, García cometeu o suicídio assim que soube da presença dos oficiais da justiça.Em seguida, entrou no seu quarto e fechou a porta. Poucos minutos depois, ouviram o disparo de uma arma de fogo e (a polícia) o encontrou (...) sentado com ferimento na cabeça", disse Morán à imprensa. "De imediato foi levado ao hospital e foi suspensa a diligência (judicial)", acrescentou o funcionário.A reação de García surpreendeu porque o ex-governante havia defendido sua inocência perante as acusações apresentadas pela procuradoria, assim como sua disposição para colaborar com as investigações. Caso García-Antes da emissão do mandado de prisão, o ex-presidente havia declarado na terça-feira que não ficaria isolado ou escondido, em alusão tácita ao asilo frustrado que pedira ao Uruguai em dezembro. Na ocasião, a Justiça determinou que ele estaria impedido de sair do país por 18 meses.A ordem de prisão contra García emitida nesta quinta-feira é de 10 dias e buscava, segundo o Ministério Público, coletar novos elementos na investigação diante de um eventual risco de fuga. O ex-presidente permaneceu durante 16 dias na embaixada uruguaia, onde pediu asilo "ante a iminência de um mandado de prisão". O pedido foi rejeitado pelo governo do Uruguai depois de analisar a documentação apresentada por Lima e pelo requerente.Nas últimas semanas, o veterano político reiterou que "não há declaração, prova ou depósito que me ligue a qualquer ato criminoso, muito menos à empresa Odebrecht ou à realização de qualquer de suas obras".García também estava sob investigação por supostas propinas pagas pela Odebrecht para obter um contrato de construção para o metrô de Lima durante seu segundo mandato.No ano passado, ele afirmou ser "perseguido politicamente", mas sua versão foi rejeitada pela Justiça e pelo governo peruano. O ex-presidente peruano era alvo de uma investigação preliminar da acusação, mas ainda não era réu.Segundo a promotoria, o então presidente García e 21 outras autoridades conspiraram para ajudar a empresa holandesa Terminal Multibancom, que venceu a licitação em 2011 para a concessão do Terminal Norte do porto de Callao, vizinho a Lima.Ainda no escândalo da Odebrecht no Peru, os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) também estão sendo investigados, e este último se encontra sob prisão preventiva até o dia 20 de abril, bem como a líder da oposição Keiko Fujimori, igualmente em prisão preventiva.

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