Publicado 05 de Abril de 2019 - 14h40

Por AFP

Desde que chegou à prisão de Curitiba em 7 de abril de 2018, Luiz Inácio Lula da Silva deixou o local somente duas vezes. Uma delas para ir ao velório de seu neto, diante de um horizonte judicial que não dá margem para otimismo.O ex-presidente de 73 anos, entretanto, não se deixa abater. Faz exercícios diariamente na esteira que tem em sua cela de 15 metros quadrados e está determinado a provar sua inocência diante do que considera uma "farsa judicial" para afastá-lo do poder."Obviamente que ele ficou muito abalado, muito triste com a morte do neto", disse a presidente do PT Gleisi Hoffmann, referindo-se à morte repentina de Arthur, de 7 anos, no dia 1 de março. "Mas do ponto de vista político, de enfrentamento de todas essas injustiças ele continua muito firme", acrescentou Gleisi, assídua visitante no quarto andar da sede da Polícia Federal em Curitiba.O patriarca da esquerda passa grande parte do tempo lendo, escrevendo as cartas que depois são publicadas pelo partido, informando-se e assistindo aos jogos do seu querido Corinthians pela televisão.As notícias levadas por seus advogados em suas duas visitas diárias não poderiam ser piores. Nenhum recurso foi capaz de libertá-lo e, na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou sem data definida as discussões da próxima semana sobre uma mudança de jurisprudência para os condenados em segunda instância, que poderia levá-lo à liberdade. O novo revés deixa tudo nas mãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que poderá examinar seu recurso nos próximos dias. A prisão domiciliar tem sido mencionada, mas não há nada concreto neste caso sem precedentes. "O cenário para Lula passa a ser o STJ", embora "os índices de alteração de pena e reversão de condenação sejam baixas, estatisticamente falando, tanto no STJ como no STF", explica Silvana Batini, procuradora e professora de Direito na Fundação Getúlio Vargas. "Mas, obviamente, a questão de Lula é excepcional", ressalva.Lula foi condenado em primeira e segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá.Em fevereiro deste ano, foi sentenciado a outros 12 anos e 11 meses, pela acusação relativa ao sítio de Atibaia. A primeira vez em que Lula deixou a carceragem da PF, em novembro, foi justamente para depor sobre este caso.Se a pena do ex-presidente no caso do sítio de Atibaia for confirmada pela segunda instância, suas condenações somarão 25 anos. Ele poderá, contudo, ser beneficiado pelo regime semi-aberto após quatro anos de cumprimento da pena, caso não seja condenado em outro processo.Neste domingo, Lula completará um ano na prisão em meio a uma série de atos que pretendem relançar a já desgastada campanha "Lula livre". A expectativa é de que os pesos pesados do PT voltem a se reunir na frente do prédio da PF em Curitiba, onde dezenas de apoiadores em vigília desde o primeiro dia da prisão gritam em coro todas as manhãs "Bom dia, presidente Lula" e se despedem às 19H00 com um "Boa noite". rs/js/dga/cc

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