Publicado 18 de Abril de 2019 - 11h20

Por Maria Teresa Costa

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), recebeu ontem o presidente da Toyota para o Brasil, Rafael Chang: investimento de R$ 1,6 bilhão e 900 empregos diretos

Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), recebeu ontem o presidente da Toyota para o Brasil, Rafael Chang: investimento de R$ 1,6 bilhão e 900 empregos diretos

A Toyota vai começar a produzir, na fábrica em Indaiatuba, o primeiro carro do mundo com motor híbrido flex — motor elétrico combinado com bicombustível, que aceita etanol ou gasolina. A previsão é que o carro, modelo sedan Corolla, chegue ao mercado em outubro. Para a produção, a montadora japonesa anunciou, no final do ano passado, investimento de R$ 1,6 bilhão na fábrica de Indaiatuba e a geração de 900 empregos diretos.

O prefeito de Indaiatuba, Nilson Gaspar, afirmou que a produção do carro terá reflexos não somente na arrecadação, mas também na evolução da moderna tecnologia utilizada para garantir sustentabilidade e uma relação mais equilibrada com o meio ambiente. “Possuímos uma legislação municipal que incentiva com desconto no IPVA, relativo à parte que compete ao Município, para utilização de veículos impulsionados por energia elétrica ou hidrogênio e atualmente 180 veículos com placa de Indaiatuba já possuem a isenção”, afirmou.

A direção da Toyota confirmou ontem ao governo do Estado de São Paulo a fabricação do modelo, mas não adiantou o preço do novo carro. O Brasil já tem modelos híbridos elétricos que aceitam gasolina. Um deles, o Prius, é da montadora. O novo Corolla terá a mesma mecânica que hoje equipa o Prius, que foi adaptada por engenheiros brasileiros e japoneses para consumir tanto gasolina quanto etanol no motor a combustão.

A montadora informou que a nova geração do sedã chegará para os mercados latino-americanos onde o veículo é exportado — Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Peru e Colômbia — a partir do primeiro semestre de 2020. O novo modelo, segundo a Toyota, será montado sobre a plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture, ou Nova Arquitetura Global da Toyota, em tradução para o português), que já equipa veículos da marca como o Prius, o SUV compacto C-HR e o sedã grande Camry.

Menos CO2

Estudos realizados pela Toyota do Brasil apontam que o híbrido flex, quando abastecido com etanol, possui um dos mais altos potenciais de abatimento da emissão de CO2. De acordo com a empresa, isso ocorre ao longo do ciclo de vida do etanol, desde que o biocombustível é extraído da cana-de-açúcar, passando pela disponibilidade nas bombas de abastecimento e sua queima no processo de combustão do motor.

Quando abastecidos apenas com etanol (E100), os resultados de abatimento do CO2 estão entre os melhores do mundo.

“Nos últimos 50 anos, o Corolla foi sinônimo de confiabilidade, segurança e qualidade. Com essa nova geração, queremos que ele seja reconhecido também como símbolo de modernidade e, acima de tudo, como uma nova forma de mobilidade. Somos entusiastas de motores eletrificados e precursores da disseminação em massa dessa tecnologia. Agora, estamos mais uma vez fazendo história, trazendo a propulsão híbrida flex para um dos maiores ícones da indústria automotiva”, afirmou Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil.

Em março de 2018, a Toyota anunciou os testes de rodagem com um protótipo híbrido flex no Brasil construído sobre a plataforma de um modelo Prius. A ideia foi colocar à prova a durabilidade do carro em diversos tipos de estradas para avaliar o conjunto motor-transmissão quando abastecido com etanol. Durante esses meses, segundo a empresa, uma série de dados relacionados à performance e comportamento do carro foi coletada de modo a contribuir na busca pelo balanço ideal de todo o conjunto.

Governador exalta anúncio da montadora japonesa

Com o investimento anunciado pela Toyota, a montadora poderá se enquadrar no Programa IncentivAuto, que tem como objetivo modernizar a indústria automobilística no Estado, ampliar a produção de veículos, gerar novos empregos e aumentar a receita a partir da oferta de descontos progressivos, de até 25%, do ICMS devido nos produtos fabricados em São Paulo.

Para o governador João Doria (PSDB), o anúncio da produção do primeiro híbrido flex do mundo representa o fortalecimento do setor automobilístico em São Paulo, um setor muito importante, forte empregador, forte utilizador de tecnologia, com robusta rede complementar de revendedores e fornecedores.

“É uma cadeia produtiva bastante importante para São Paulo e para o Brasil. São milhares de empregos gerados e a expansão desse setor vai gerar ainda mais emprego, tecnologia, renda e mais benefícios com arrecadação de mais impostos, permitindo ao governo de São Paulo investir em saúde, educação, habitação, segurança pública e assistência social”, afirmou.

Escrito por:

Maria Teresa Costa