Publicado 27 de Fevereiro de 2019 - 12h34

Por Rogério Verzignasse

Memória ||| Cidadão ilustre

Morte de Grama abalou ninho tucano

Magalhães Teixeira simbolizou a ruptura com a velha e ineficiente política

Carreira engajada

começou em

plena ditadura

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

rogerio.verzignasse

Há 23 anos, Campinas chorava a morte do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira. Ícone da política local, “Grama” - como era conhecido – ficou famoso por implementar um governo marcado por projetos sociais e serviços públicos eficientes. Ações que lhe renderam popularidade única, e respeito até dos adversários históricos.

Magalhães Teixeira, mineiro de Andradas, cursou odontologia na PUC-Campinas entre 1957 e 1961, e se destacou na política estudantil. Esteve à frente de um centro acadêmico e do Diretório Central dos Estudantes (DCE). No limiar da ditadura militar, ele ingressou no MDB, legenda de oposição ao regime.

Foi eleito vereador em 67. Ao longo da década seguinte, foi diretor de esportes, vice-prefeito no primeiro mandato de Chico Amaral, secretário de Cultura, prefeito interino. Se firmou como um nome importante dentro do partido, e candidato natural à sucessão de Chico.

Em 1983, Grama foi eleito prefeito e assumiu a liderança de uma legenda que, até então, era controlada em rédeas curtas por Orestes Quércia. Seu mandato à frente do Executivo o tornou o prefeito mais bem avaliado do Brasil, e e o tornou reconhecido como símbolo da ruptura com as velhas lideranças partidárias.

Em meados de 1988, por exemplo, último ano de seu primeiro mandato como prefeito, Magalhães Teixeira foi fundador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), agremiação criada por dissidentes do PMDB.

Apesar de não conseguir eleger seu sucessor na Prefeitura, Grama concorreu à vaga de deputado federal pelo PSDB e foi eleito com a quinta maior votação do estado - 136.522 votos - mais de 80% dos quais provenientes de Campinas, o que comprovou sua popularidade. Ele deixou o Congresso Nacional dois anos depois, para concorrer de novo à Prefeitura. E teve nada menos que 61% do total de votos válidos.

De volta ao Executivo municipal, Grama foi um dos precursores do programa de garantia de renda mínima para complementar os vencimentos de famílias pobres,modelo para o Brasil todo, referência para o atual Bolsa Família.

Insubstituível

Em novembro de 1995, Grama recebeu o diagnóstico de câncer no fígado. Ele chegou a governar da própria casa, mas partiu no dia 29 de fevereiro de 1996, depois de uma semana internado no HC da Unicamp.

O cortejo fúnebre – do Palácio dos Jequitibás até o Cemitério Flamboyant – levou mais de 20 mil pessoas ás ruas da cidade. Episódio tocante, que a cidade jamais vai esquecer.

O vice Edivaldo Orsi assumiu o cargo para cumprir o último ano do mandato. Mas a morte de Grama, efetivamente, abalou o PSDB na cidade. A legenda jamais emplacou uma liderança com tamanha popularidade, e viu partidos rivais de revezando no poder. O estilo político inconfundível de Grama ficou na memória coletiva.

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Rogério Verzignasse