Publicado 21 de Fevereiro de 2019 - 18h14

Por Adagoberto F. Baptista

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Campinas registrou em 2018 o menor número de nascimentos dos últimos sete anos. No ano passado nasceram 15.061 bebês de mães residentes na cidade, 2,4% menos que em 2017 e queda de 0,4% em relação 2012, quando os nascimentos ultrapassaram a casa dos 15 mil, de acordo com o Sistema de Informação e Informática da Secretaria de Saúde.

A queda está relacionada às condições sociais do País, com uma crise econômica, que pode estar levando os casais a adiar planos de ter filhos, avalia a pediatra Tânia Marcucci, coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente, da Secretaria de Saúde. Ela lembra que em 2016, quando o número de nascimentos de campineiros teve queda de 6,4% em relação ao ano anterior, os casos de infecção pelo vírus da Zika, que fizeram aumentar os casos de bebês com microencefalia, pode ter pesado mais que as incertezas econômicas na decisão de ter filhos.

Dois anos depois, é o desemprego, a falta de perspectivas de curto prazo que pode estar pesando na decisão dos pais. Isso está ocorrendo em todo o País, com a queda na taxa de natalidade quanto na de fecundidade. A taxa de natalidade, que mede o número de nascidos vivos anualmente por mil habitantes, foi de 12,5 em 2018. Em 2009 era 13.

“O que temos hoje é muitas famílias aguardam mais tempo para decidir ter filhos. Antes, a faixa etária das mulheres que engravidavam eram de 20 a 30 anos. Hoje é de 30 a 40 anos”, disse. Além disso, os casais estão optando por ter menos filhos, influenciando a taxa de fecundidade do País.

A queda no número de nascimentos interfere diretamente na estrutura etária da população do País. A taxa de fecundidade total (número médio de filhos por mulher) em 2018 foi de 1,77 no País, e deverá reduzir para 1,66 em 2060, segundo a Projeção de População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2000 e 2010, a taxa de fecundidade foi reduzida em mais de um quinto (22%), passando de 2,38 filhos por mulher para 1,86. Em 1940, a taxa era mais de três vezes maior: 6,16 filhos por mulher.

A revisão dos dados mostrou que o envelhecimento do padrão da fecundidade é determinado pelo aumento na quantidade de mulheres que engravidam entre 30 e 39 anos e pela redução da participação de mulheres entre 15 e 24 anos na fecundidade em todas as grandes regiões do país.

No Estado de São Paulo a taxa de fecundidade atual é estimada em 1,72 e deve chegar a 1,65 em 2060. As projeções do IBGE indicam que o Brasil se tornará um País de idosos em 2029, quando haverá 39,7 milhões de jovens (0-14 anos) e 40,3 milhões de idosos (60 anos e mais).

É uma tendência mundial, afirma a demógrafa Carmem Saldanha. Segundo ela, existe um declínio no número de nascimentos em nível global e, em quase metade dos países, a natalidade está ocorrendo abaixo do chamado nível de reposição, quando o volume de filhos por família é insuficiente para manter o tamanho da população nesses locais. Há redução e envelhecimento da população. “A tendência é ter mais avós do que netos”, compara.

“Tem pesado nisso também a redução das mães muito jovens e a tendência de as mulheres terem filhos quando estão mais maduras não apenas financeiramente, mas emocionalmente também”, disse.

RETRANCA

Enquanto muitos casais adiam a decisão de ter filhos, ou de não tê-los, Ísis chegou na noite de quarta-feira, com 2,79 kg e 46 centímetros. Não foi planejada, mas chegou e no dia seguinte já tinha provocado mudança na vida da fotógrafa Patrícia Dominguez, de 27 anos. “É um amor que não cabe no peito. Se eu soubesse que ela mudaria minha vida desse jeito, não tinha sofrido tanto na gravidez com a angústia do que seria o futuro, não teria chorado tanto e teria ficado em paz”, disse.

Patrícia continua preocupada com o futuro, mas não está mais angustiada. “Sei que é um sentimento que não tem explicação. Quando a vi, tão perfeita, tão linda, me senti a pessoa mais feliz do mundo. É o maior presente da minha vida”, afirmou.

ELEMENTO

Nascimentos em Campinas

Ano Nascidos vivos (*)

2008 14.451

2009 14.806

2010 14.995

2011 14.764

2012 15.122

2013 15.342

2014 15.996

2015 16.195

2016 15.153

2017 15.432

2018 15.061

Fonte: Secretaria de Saúde. (*) filhos de mães residentes em Campinas

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista