Publicado 20 de Fevereiro de 2019 - 17h38

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Danny

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recepcionou ontem os 66 calouros indígenas, que foram aprovados no último vestibular da universidade. Os estudantes – a maioria deles de famílias carentes e do norte do país – foram acolhidos pela comunidade acadêmica e fizeram as matrículas no Ciclo Básico. O evento contou com uma mesa de comes e bebes e com a presença do reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, que realizou uma palestra de boas vindas aos novos estudantes. Os calouros também foram recebidos por veteranos, ex-estudantes e grupos de apoio da universidade.

No dia 2 de dezembro do ano passado, a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) aplicou de maneira inédita, o primeiro Vestibular Indígena da universidade em cinco cidades do país: Campinas (SP), Dourados (MS), Manaus (AM), Recife (PE) e São Gabriel da Cachoeira (AM). De acordo com Knobel, a iniciativa tem como objetivo abrir portas e oportunidades de estudo para as comunidades indígenas de todo o Brasil. “O Vestibular Indígena traz para dentro da universidade um perfil de estudante completante diversificado. A maioria deles, por uma questão socioeconômica, dificilmente conseguiria ter acesso à universidade pelo vestibular tradicional”, comentou.

Segundo ele, a Unicamp sempre se notabilizou por ser uma universidade que abre portas não só para os melhores alunos, como também para toda e qualquer pessoa. “Para nós é importantíssimo que toda sociedade esteja refletida dentro da universidade. Aos poucos estamos conseguindo fazer isso”, explicou o reitor.

Rayane Barbosa, de 17 anos, é uma das novas alunas indígenas aprovadas no processo de seleção no Vestibular Indígena. Emocionada, ela conta com orgulho que vai estudar pedagogia na Unicamp e que o ingresso na universidade representa mais do que um simples sonho pessoal. “O nosso povo luta há muito tempo para ganhar espaço não só nas universidades, mas na sociedade como um todo”, comentou. “Estudei a minha vida inteira na comunidade indígena onde nasci, na cidade de Arco-Íris (SP). É um sonho realizado poder estar aqui fazendo matrícula em uma instituição do tamanho da Unicamp”, ressaltou.

Natural de Pari-Cachoeira (AM), Anderson Arantes vai cursar a primeira faculdade de sua vida aos 23 anos. Ele contou que será estudante de filosofia e que pretende aproveitar ao máximo cada oportunidade de estudo que tiver dentro da instituição campineira. “É uma oportunidade única que estou tendo. Estou muito ansioso, animado e com um pouco de medo também. Eu vim sozinho para Campinas, porque meus familiares ficaram na minha comunidade. Vai ser desafiador, mas eu vou conseguir me sair bem”, comentou.

Retranca // Auxílios

Os 66 estudantes indígenas que realizam a matrícula presencial nesta quarta-feira, passaram ontem por uma triagem socioeconômica para receber os auxílios prometidos pela instituição. De acordo com a pró-reitora de graduação da Unicamp, Eliana Amaral, a expectativa é de que todos os novos estudantes sejam contemplados. “Os auxílios serão disponibilizados aos alunos aprovados no vestibular indígena e que atenderem aos critérios socioeconômicos de seleção”, explicou.

São eles: o Benefício de Isenção da Taxa de Refeição (BITA) - que permite que o estudante utilize de forma gratuita o Restaurante Universitário no café da manhã, almoço e jantar; a Bolsa Auxílio Social no valor de R$678,81 (com reembolso do transporte); e também a Bolsa Auxílio Instalação – destinada às primeiras despesas do calouro e que deve ser depositada aos aprovados até a próxima sexta-feira (22).

Além deles, outro beneficio prometido é o auxílio-moradia que vai funcionar de forma diferente dos demais, porque o número de vagas disponíveis na moradia universitária da Unicamp pode não ser suficiente para todos alunos indígenas aprovados, Eliana explica que, por causa disso, a solução encontrada pela universidade será a conceder um auxílio-moradia no valor de R$428,75 mensais, aos alunos que ficarem sem moradia estudantil concedida pela universidade.

ELEMENTOS:

“Eles que vem estudar, mas somos nós quem vamos ganhar conhecimento com a chegada deles”.

MARCELO KNOBEL

Reitor da Unicamp

“Eu tenho orgulho de ser indígena e de poder falar que entrei na Unicamp depois de estudar a minha inteira em uma escola indígena”

RAYANE BARBOSA

Estudante de pedagogia

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista