Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 17h52

Por Yasmine Azevedo e Souza

Alenita Ramirez

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Foto: Divulgação PM

Um desempregado de 18 anos foi preso por suspeita de torturar e matar a própria filha de dois meses, na noite desta quarta-feira (6), em Itatiba, na Região Metropolitana de Campinas (RMC). O bebê ainda chegou a ser socorrido com vida à Santa Casa local, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. À agressão foi constatada durante atendimento. A equipe médica achou diversos hematomas pelo corpo da neném, como na região do tórax, abdômen, costas e nos ombros com diferentes estágios de cicatrização, indicando que ela sofria maus tratos havia algum tempo. Ela também tinha marca de mordidas.

Matheus Justo de Souza, 18 anos, foi preso pela polícia em flagrante pelo crime de tortura ainda no hospital. Ele chegou a negar os maus-tratos dizendo que a bebê havia caído, mas acabou por confessar que a mordia e a agredia porque não sabia o que fazer para ela parar de chorar. Segundo a polícia, ele contou que, inclusive, tampava a boca da filha para abafar o barulho do choro.

A mãe da menina, que vai completar 18 anos no próximo dia 12, chegou a ser levada à delegacia, e disse em depoimento que tinha medo de Souza, pois ele demonstrava comportamento desequilibrado e que era constantemente agredida e ameaçada pelo companheiro. A jovem foi liberada para a mãe após depoimentos.

A bebê foi levada para a Santa Casa por uma unidade do resgate do Corpo de Bombeiros, após a mãe da neném pedir ajuda. O bebê chamava Adda Haile Vinceguerra Justo.

O casal se conheceu há cerca de um ano e foram morar juntos, em uma casa no bairro João Maggi, após o nascimento de Adda. Até então a garota morava com a mãe dela, avó da bebê. Com a união, o casal passou a se desentender, já que ele alegava que ela não sabia cuidar da casa e da filha. Ainda segundo a adolescente, o companheiro passou a revelar temperamento agressivo na gravidez, no entanto nunca teria batido nela. Ele seria usuário de maconha.

Mas com a união, Souza passou a agredi-la e chegou a impedir que ela cuidasse da filha. Nos últimos dias, ela estaria dormindo no sofá da sala.

Ela contou para a polícia que várias vezes acordava a noite com o choro da filha e quando via, ele estava com a bebê no colo e com as mãos no rosto da criança. Ainda segundo relatos da garota, ela não contou para ninguém ou saiu de casa porque o marido a ameaçava. Ela afirmou que saiu uma vez de casa, mas voltou por causa da bebê, já que ele não a deixava ficar com a criança.

Na manhã desta quarta-feira, o casal teria brigado novamente e ela saiu com a cunhada para ir ao banco. Quando retornou à tarde, após duas horas, Souza a chamou e disse que a filha estava “mole”. Foi então que ela ligou para o Bombeiros. A jovem contou para a polícia que nunca flagrou o marido agredir a criança, apenas tapar a boca.

Em seu depoimento, o desempregado afirmou estar arrependido das agressões e confirmou as mordidas na filha, porém negou a agressão. No entanto, admitiu que descontava sua tristeza e frustrações na criança e que não sufocava a filha, mas apenas tapava sua boca em razão do choro que o incomodava. Ele também afirmou que nunca desejou fazer mal para sua filha e muito menos tirar a vida dela. Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista onde permanecerá preso.

Escrito por:

Yasmine Azevedo e Souza