Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 17h03

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Divulgação

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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O número de brasileiros que concluíram o ensino superior e estão trabalhando fora de sua área de atuação aumentou em 2018. Esse grupo teve acréscimo de seis pontos porcentuais em relação a 2017 e já representa 44,2% do total de formados. Se consideradas todas as idades, a parcela é de 38% - trata-se do maior patamar atingido desde o início da série histórica, em 2012. Os dados são do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). De acordo com o levantamento, além de não estarem empregados em suas respectivas áreas de formação, os profissionais mais qualificados não estão sendo remunerados da maneira como esperavam.

Segundo o estudo, eles ganham 74% menos do que o diploma permitiria e a justificativa para isso está diretamente relacionada com a crise econômica brasileira. “A economia não está conseguindo gerar emprego de nível superior”, afirma a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Maria Andreia Lameiras, uma das responsáveis pelo desenvolvimento do trabalho. “Ao mesmo tempo, a população está mais escolarizada, o que é positivo. A gente agora tem de começar a criar emprego com perfil adequado para essa escolarização”, ressalta.

Números

Somente entre o primeiro trimestre de 2012 e o terceiro trimestre de 2018, o número de trabalhadores com ensino superior completo avançou de 13,1 milhões para 19,4 milhões. Esses profissionais foram os menos afetados pela crise econômica brasileira que se iniciou em meados de 2014. De acordo com o estudo do Ipea, que usa dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ocupada com diploma é a única que apresenta taxas positivas de expansão desde 2012. Entretanto, nem sempre trabalham com aquilo que gostariam e com o valor (salário) que desejavam ganhar quando ingressaram na faculdade.

“No setor público, o cenário traçado pelo estudo do Ipea é mais visível, porque muitos concursados com graduação assumem cargos de nível técnico”, diz Maria Andreia. Nos últimos meses, houve um crescimento do emprego no setor de serviços, enquanto alguns segmentos da indústria ainda estão demitindo. “Tivemos um padrão de crescimento nos últimos anos baseado em setores que não necessariamente requerem mão de obra especializada”, afirma.

No que diz respeito à economia, em sua opinião, a tendência é que o quadro melhore a partir do ano que vem, com a retomada da atividade econômica. “A economia tem de voltar a crescer. Sem crescimento e investimento é difícil gerar emprego de qualidade.”. Maria Andreia, também espera um 2019 melhor do que foi este ano, marcado por conturbações políticas e econômicas, como as eleições e a greve dos caminhoneiros. Segundo ela, ainda não foi possível “ver resultados da reforma trabalhista num ano tão confuso, em que a confiança dos empresários ficou abalada”.

Campineiro desiste do jornalismo para seguir carreira em bioquímica

Alan Duenha, de 28 anos, concluiu a graduação em jornalismo em 2016, mas desistiu de procurar emprego na área assim que se formou. Atualmente, ele trabalha na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), como funcionário público. “Eu tinha feito antes de me formar um curso técnico de bioquímica em uma área diferente por recomendação dos meus pais. Foi através desse diploma que consegui prestar um concurso público e conseguir o emprego que eu tenho hoje desde 2011”, comentou.

Atualmente, Alan mora no Parque Jambeiro e vai ao serviço de terça a sexta-feira de ônibus fretado. Apesar de ter se formado como jornalista e admirar a profissão, ele conta que não pensa em atuar na sua área de formação acadêmica. “Eu sempre foi muito comunicativo e pensava em ser um jornalista. Mas, a partir do momento que eu me acostumei com o meu serviço, e passei a perceber a importância e a missão social que meu trabalho tem para as pessoas, optei por continuar trabalhando aqui mesmo”, concluiu.

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Adagoberto F. Baptista