Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 14h50

Por Yasmine Azevedo e Souza

TEM O ABRE, UM BOX COM DADOS DE CHAMADAS, E UMA RETRANCA

Alenita Ramirez

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Foto: Divulgação da Polícia Civil

A Polícia Civil de Campinas prendeu ontem de manhã, dois homens suspeitos de integrarem uma quadrilha de pichadores. Antônio Henrique de Oliveira Santos, conhecido como Baby, de 26 anos, e Alan Barbosa Pereira, cujo apelido é Arriscado, de 27 anos, foram detidos com base em mandado de busca e prisão, expedidos pela 5ª Vara Criminal. Eles foram presos temporariamente por cinco dias. A dupla é investigada pelo 10º Distrito Policial (DP) após pichação, em dezembro do ano passado, em três prédios no Jardim Guarani. As buscas foram realizadas no Parque Dom Pedro 2 e Jardim Adhemar de Barros. Na casa deles foram apreendidos diversos apetrechos usados na pichação e três pés de maconha, além de uma moto e de um veículo.

Os policiais chegaram a dupla após receberem denúncias de síndicos de prédios localizados ao lado do Estádio Brinco de Ouro e da Avenida Princesa D´Oeste. Os suspeitos têm como tática michar portões e portas, invadem os prédios e sobem e descem por elevadores. Antes da invasão, o bando estuda se os locais contam com segurança ou porteiro noturnos. Em um dos casos do Jardim Guarani, foi filmado a circulação de três homens em dos edifícios, durante a madrugada. “Os representantes dos prédios procuraram a delegacia para registrarem o boletim de ocorrência policial do dano sofrido e também pelo medo causado. Com as informações iniciamos as investigações que duraram dois meses. Foram analisadas diversas escritas, imagens de sistemas de seguranças e redes sociais e com estas informações identificamos o Antônio e o Alan”, contou o chefe de investigações, Marcelo Hayashi.

Os policiais descobriram que a quadrilha atua em várias cidades do Estado e picha quatro assinaturas distintas “Sumário, Arriscado, Rigor e Talento”, seguido letra “A” como marca, que se refere Anarquista. O grupo conta com integrantes até da Capital e costuma se reunir todas as sextas-feiras em um shopping da cidade para organizar o vandalismo. Ainda conforme os investigadores, os suspeitos são ousados, já que têm o hábito de exibir nas redes sociais suas ações. “Eles tiram fotos no interior de elevadores de prédios e exibem matérias jornalísticas de detenções como troféus de seus feitos”, disse Hayashi.

As pichações são sempre feitas de cima para baixo. Eles sobem até o último andar e da “cobertura” usam cabos de madeira longos para fazerem os rabiscos. Segundo Hayashi, os suspeitos usavam um Renault Sandero para chegar nos locais alvos. O veículo está com o adesivo de um aplicativo de transporte. Os investigadores acreditam que eles utilizam o adesivo para despistar a Polícia militar (PM), em alguma blitz. O carro é de Santos. “Eles levam pincel, tinta e cabos de madeira e alegam que picham porque vivem uma vida louca. Tanto que um dos nomes que usam é arriscado, uma referência ao risco que praticam”, falou o chefe de investigação.

A dupla vai responder por crime ambiental e formação de quadrilha e ainda foi feito contra eles um Termo Circunstanciado (TCO) em relação aos pés de maconha que cultivavam.

BOX

A Guarda Municipal (GM) de Campinas registrou em 2016, 49 chamados de pichação: 10 delas foram encaminhados ao DP e 20 constatados, mas sem pichadores localizados.

Em 2017, foram 44 chamados: 11 encaminhados ao DP e 16 constatados, mas sem localização dos pichadores. Os demais casos foram denúncias que não se confirmaram ou grafite autorizado.

Em 2018, foram 54 chamados: 3 casos encaminhados ao DP, outro caso datado de 15 de abril teve detenção de quatro suspeitos, dois dos quais ficaram presos; 8 envolvidos qualificados, e outros 2 casos de pichação constatados, mas sem localização dos pichadores.

Quando a pichação ocorre em um prédio público, a vítima é o Estado e o pichador é levado direto para o DP. Já se ocorrer em prédio privado, no caso de detenção em flagrante, a vítima tem que ir junto na delegacia para prestar queixa e o suspeito ser preso.

RETRANCA

Antônio Henrique de Oliveira Santos e Alan Barbosa Pereira já foram detidos pela Polícia Militar (PM), no final de dezembro de 2013. Na época, eles e mais um amigo foram pegos após picharem a cobertura do Edifício Saldanha Marinho, na região central de Campinas. O trio estava na companhia de ao menos cinco comparsas e invadiram o prédio com uma chave micha. O bando foi descoberto quando deixava o prédio, por um morador que havia perdido o sono e olhava o sistema de segurança local. Na época, outros dois prédios da região também foram alvos de vândalos na mesma madrugada.

No dia, eles foram detidos, mas liberado após a elaboração de um termo circunstanciado, cuja pena aplicada foi prestação de serviço. O feito e mais as reportagens que saíram na imprensa foram publicadas como troféu nas redes sociais do bando. Aliás, todos as pichações feitas por eles são exibidas no Facebook como verdadeiras “obras de arte”.

As fotos mostram o vandalismo e também os próprios autores, de costas, usando o spray para fazer as pinturas, além dos prédios e monumentos já pichados. São cerca de 400 fotos, a maioria com comentários de outros usuários e mensagens de incentivo. Em algumas imagens, outros pichadores, identificados apenas por apelidos, recomendam o grupo a deixar de fazer esse tipo de exposição na rede.

Em um dos vídeos, Baby escreve na primeira foto o nome dele e: Talento, só prédio em Campinas. Os 70 melhores prédios - 180 fotos e 2014, ano que foi feito o vandalismo. (AR/ANN)

Escrito por:

Yasmine Azevedo e Souza