Publicado 19 de Fevereiro de 2019 - 9h47

Por Mary Jane A. Paiva

Comportamentos violentos são motivados por insegurança e sentimento de impotência. Ao se sentir ameaça e responder com violência gratuita, a pessoa denota sua insegurança o mesmo se dá com quem apoia e endossa pessoas violentas. Preconceito é uma forma clara de violência, logo de insegurança, de quem o pratica. Quem o recebe se sente acuado, inseguro, e a resposta é na mesma, digamos, moeda. O que não leva a lugar nenhum, uma vez que nada se resolve como foi criado.

Hitler foi apoiado por pessoas passivas, fracas e medrosas contra aquilo que era diferente delas, que não conheciam. É um exemplo terrível e histórico que apresenta o poder de rede do medo e da violência, em movimentos humanos de linha mimética e reptiliana. É comprovado. Quando o medo, sua consequente insegurança, alimentada pelo narcisismo se soma à ignorância do sentir e refletir se dá a perseguição, a agressividade e a intolerância, a tragédia, o caos.

Um ser masculino inseguro de sua própria virilidade pode ser muito agressivo diante do sexo oposto. Portanto, desdenha e desqualifica o outro, a mulher, o feminino, em uma tentativa muitas vezes inconsciente de ter a sensação da virilidade que não tem.

Na contemporaneidade o tema da diferença e da multiplicidade sociais ( múltipla faces de um povo) é urgente para a continuidade da evolução intrínseca a igualdade de direitos. Estamos em uma era narcisista e polarizada que torna tudo mais difícil do que é, uma vez que o diferente é considerado errado. Divididos em lados, ambos em estado de alerta máximo, o cenário é sempre o da iminência de uma explosão. É de medo, portanto, de violência. Não há transformação, só embate.

Cria-se assim o espaço para resgatar padrões antiquados e ineficientes nos lembrando a era medieval, tamanha é a falta de sensibilidade e de frieza que vem gerando tanta violência. Os exemplos estão em toda parte, não só na esquina, como dentro dos lares, nos noticiários e redes sociais. Cito a monstruosidade feita com meninas adolescentes escravas que tiveram que fabricar bebês para o tráfico humano e depois descartadas das próprias vidas. Não caberia nem na época da barbárie reconhecida como trunfo, não cabe simplesmente na vida. É terrível. Uma escala de violência e preconceito (sim) impossível de proporcionar de tão absurdo que é.

Você acredita mesmo que uma pessoa como Sabrina Bittencourt tinha perfil suícida? Pense nisso. Olhe para o tema, o contexto, o ser, o meio, para a sua própria história e valores e faça uma reflexão. É indispensável olhar para si e ver se existe a possibilidade de estar colaborando com esse sistema adoecido, inseguro e violento que nega a possibilidade da diferença, na etnia, classe social, intelectual, no gênero, religião, fé, crenças, ideologias políticas, etc...

É um exercício diário e efetivo. É muito fácil ser manipulado quando você se sente inseguro em relação a quem você é , quando não lida bem com seus estados emocionais. É uma armadilha grave, mas parece um alívio, depositar sua infelicidade, frustrações e insegurança no outro, na agressividade, no grito, no mimético.

A violência afeta a vida de todos nós, e o efeito do medo se espalha, até chegar a escala do terror. Não é a toa que o terrorismo tem sucesso nas suas investidas.

Não basta cuidar de suas inseguranças em relação ao diferente , resolver seus preconceitos ,ter autoconhecimento, dominar com inteligência seu emocional e seu instinto, caso você não olhe (e mais importante) não enxergue o ambiente e o sistema adoecidos, a forma como você o endossa ou apensa não o ajuda a ser transformado para melhor. A grande mudança para os tais dias melhores implica você, eu, o outro diferente de mim, diferente de você, todos. E nosso pequeno imenso país exercido desde o pensamento, até a reação, ou melhor ação. Só assim, refletindo, sentindo e com empatia na prática conquistaremos uma sociedade com justiça verdadeira e igual para todos. Uma sociedade segura e forte, onde o preconceito, logo a violência, não terão vez. Se é um trabalho de formiguinha? Não. É de ser humano mesmo.

Escrito por:

Mary Jane A. Paiva