Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 19h05

Em comemoração ao primeiro ano de atividades do espaço cultural, o Subsolo - Laboratório de Arte traz para a cidade uma mostra com objetos, desenhos e aquarelas criados pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi, responsável entre outras, pelo projeto do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e Sesc Pompeia. Os produtores culturais Andrés Hernández e Danilo Garcia assinam a curadoria e organização da exposição junto com o Instituto Bardi – Casa de Vidro. O público tem até 20 de fevereiro para conferir a mostra especial de aniversário da galeria.

Para ambientar o espaço arquitetônico, Hernández, doutor em Artes Visuais pela Unicamp na área de instalações artísticas, explica que a exposição foi elaborada de forma a instigar o público a pensar sobre as obras de Lina Bo Bardi. Duas cadeiras criadas pela arquiteta estão expostas, além de outros objetos que remetem aos projetos da arquiteta.

Os curadores ressaltam a leveza e a destreza com que Lina – que era casada com Pietro Maria Bardi, fundador e diretor do Masp – se movimentava entre diversas modalidades, extrapolando o universo dos projetos arquitetônicos. “As obras para a exposição foram selecionadas para mostrar essa diversidade criativa”, comenta Garcia.

Juntamente com esta exposição, outras cinco estão instaladas no espaço, de artistas visuais de Campinas, Limeira, São Paulo e Uberlândia. As salas do Subsolo serão preenchidas com obras de Desmemória dos afetos, de Norma Vieira; Baseado em fatos instáveis, de Priscila Rampin; Ainozama, de Fernando Limberger; Observantes, de Fernando Pimentel e Tempo quando, de Marilde Stropp.

A reunião dessas mostras no Subsolo vem ao encontro da proposta inicial do espaço cultural, que é unir artistas de diversas modalidades e categorias dentro das artes, sempre trazendo representantes de Campinas e região. “Além disso, abrir essas exposições para um público que conta com estudantes de arquitetura e de artes visuais das universidades da cidade só fortalece o formato do propósito”, diz Hernández.

Segundo o curador, a exposição em Campinas está alinhada com a missão do Instituto Bardi – Casa de Vidro, que é promover a obra da arquiteta e seu significado para a cultura brasileira. “Lina cultivava verdadeira paixão pelo povo brasileiro e suas obras - a exemplo do Masp e Sesc Pompéia -, priorizam a interação e integração entre as pessoas, são espaços do povo”, ressalta.

Para a realização das exposições, o Subsolo firmou parceria com o Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), neste caso, para trazer a obra de Fernando Limberger (Ainozama), além do Instituto Bardi – Casa de Vidro.

Casa de Vidro

Lina Bo Bardi chegou no Brasil em 1946 com seu marido Pietro Maria Bardi, e teve um papel muito importante na cena cultural brasileira. Além de arquiteta, era designer e educadora. Lina faleceu em 1992 em São Paulo. A Casa de Vidro foi a primeira obra construída por ela, concluída em 1951. Na casa, a arquiteta e Pietro Maria Bardi viveram por 45 anos. O projeto Casa de Vidro tem conexões com o edifício do Masp, inaugurado em 1968: ambos compartilham qualidades de suspensão e transparência singulares e uma relação com o entorno.