Publicado 27 de Fevereiro de 2019 - 5h30

Campinas foi responsável por um terço do valor movimentado pelo Comércio Exterior em janeiro de 2019, na área de abrangência do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas. De acordo com um estudo inédito divulgado pela entidade ontem, a cidade importou pouco mais de US$ 287 milhões e exportou cerca de US$ 76 milhões no primeiro mês do ano. Juntos, os 19 municípios da regional (Águas de Lindóia, Amparo, Artur Nogueira, Campinas, Conchal, Estiva Gerbi, Holambra, Hortolândia, Itapira, Jaguariúna, Lindóia, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Paulínia, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Serra Negra, Sumaré e Valinhos) importaram aproximadamente US$ 915 milhões e exportaram quase US$ 255 milhões.

A segunda cidade que mais se destacou na análise foi Paulínia. O município importou em torno de US$ 237 milhões e exportou pouco mais de US$ 61,6 milhões. As quantias representam 25,88% e 24,20% do valor total movimentado na região em suas respectivas categorias de negócios. Em seguida aparece Sumaré, que importou cifras levemente superiores a US$ 81 milhões e exportou perto de US$ 37 milhões. No caso, 8,88% e 14,52% da importância total mobilizada.

Anselmo Riso, diretor de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, explica que as três localidades se sobressaem em função das empresas nelas estabelecidas. "Em Campinas, temos grandes laboratórios e indústrias de autopeças bastante fortes. Além de outras companhias ligadas ao setor tecnológico. Em Sumaré, está instalada uma das maiores indústrias automobilísticas do Brasil. Em Paulínia, há o polo petroquímico do Estado de São Paulo, com indústrias que demandam insumos químicos para os seus produtos e a Refinaria de Paulínia (Replan), que também exporta", explicou.

Importações

O levantamento do Ciesp-Campinas apontou também que as máquinas, aparelhos e materiais elétricos, aparelhos de gravação e reprodução foram responsáveis por praticamente um terço dos quase US$ 915 milhões importados na região. A categoria movimentou pouco mais de US$ 310 milhões. Em seguida, aparecem os produtos químicos orgânicos, que mobilizaram cerca de US$ 151,2 milhões. Dentre os itens categorizados, combustíveis, óleos e derivados minerais foram os que contabilizaram o menor valor — perto de US$ 535 mil em importações.

Segmentos

No que diz respeito às exportações, os segmentos que mais se destacaram foram os produtos plásticos e derivados, conjuntamente as máquinas, caldeiras, aparelhos mecânicos e suas partes. Cada categoria exportou próximo de US$ 39 milhões, totalizando juntas quase US$ 78 milhões, ou seja, em torno de 31% dos aproximadamente US$ 255 milhões exportados em janeiros pelas 19 cidades da regional.

Indústria fica no vermelho e fecha 450 postos de trabalho em janeiro

O nível de emprego da indústria da região de Campinas voltou a ter um janeiro negativo após seis anos. De acordo com dados divulgados ontem, pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) de Campinas, 450 postos de trabalho foram encerrados no primeiro mês de 2019. Se comparado ao mesmo período de 2018, quando ocorreu superávit de 1.550 contratações, houve queda de cerca de 129%.

Para José Nunes Filho, diretor da entidade, o mais preocupante é que o setor acumula três meses de saldo negativo. Em novembro e dezembro de 2018, foram fechados 500 e 650 postos de trabalho, respectivamente.

Apesar de considerar cedo para analisar a recente sequência de resultados negativos, Nunes Filho enfatiza que a indústria ainda está se recuperando da "surra" que levou nos últimos 14 anos. "O setor está descapitalizado, endividado e sem acesso a crédito. São sequelas de um problema de longa data, período em que a economia do Brasil foi destruída", disse. "Nós só não viramos uma Venezuela por sorte", esbravejou.

O diretor pondera, entretanto, que apesar disso, o cenário atual é de otimismo. O nível de emprego da indústria da região de Campinas fechou os dois últimos anos com saldo positivo, depois de cinco anos de demissões. No acumulado de 2018, foram gerados 1.250 novos postos de trabalho. Já 2017, acumulou 500 contratações. Nunes Filho destacou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial Paulista (ICEI-SP), métrica elaboradora pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), avançou de 64,3 pontos em dezembro de 2018, para 65,7 em janeiro deste ano — o maior desde março de 2010, quando o indicador registrou 66,7 pontos.

Otimismo

Nunes Filho ressaltou que em todos os questionamentos realizados na sondagem industrial mensal, que comparou as percepções e planos dos empresários em dezembro de 2018, e janeiro de 2019, foram apresentados indicadores positivos. "O otimismo no setor é forte", disse.

O nível de inadimplência, por exemplo, assinalou retração. No último mês do ano passado, 30,77% dos entrevistados informaram que os valores a receber tinham aumentado. No primeiro mês deste ano, apenas 10% deram essa resposta. No que diz respeito aos custos trabalhistas, 10% do empresariado contabilizaram menos gastos em janeiro de 2019, ante 3,85% em dezembro de 2018. "A queda é um reflexo das mudanças já realizadas nas leis trabalhistas", afirmou.

Nunes Filho conclui, porém, que sem dinheiro não há como transformar o otimismo em novos postos de trabalho, consequentemente, aumento de produção. Assim sendo, espera mudanças e taxas de juros e tributos mais enxutos para o empresariado. O estudo informou ainda que o resultado de janeiro deste ano "foi influenciado pelas variações negativas de produtos de borracha e material plástico (-5,01%); produtos alimentícios (-2,01); produtos químicos (-0,19%) e equipamentos de informática; produtos eletrônicos e ópticos (0-67%), que foram os setores que mais influenciaram o cálculo do indicador total da região." (DC/AAN)