Publicado 21 de Fevereiro de 2019 - 5h30

Euler Fernando Grandolpho, autor da chacina de fiéis católicos que chocou Campinas em dezembro, planejou o ataque e agiu sozinho, sem influência de ninguém, seguramente em consequência de um trauma psicológico. Ele precisava chamar a atenção das autoridades porque se sentia perseguido.

Essa é a conclusão do inquérito policial, que será entregue ao Ministério Público (MP) nos próximos dias. Conforme a polícia já havia divulgado, Euler planejou o ataque em 2008 e aprendeu a atirar praticando por meio de jogos de tiro de videogame, em seu próprio quarto.

A conclusão do inquérito foi anunciada ontem, em entrevista coletiva concedidas pelos delegados José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo do Interior 2 (Deinter-2), Roberto José Daher, titular da 1 Delegacia Seccional e Hamilton Caviolla Filho, do 1 Distrito Policial (DP).

“Ainda faltam três laudos, um com o uso do programa 3D, outro de lesão corporal de uma vítima e o terceiro das armas, mas eles não influenciam no resultado das investigações. O resultado das apurações era para definir se Euler agiu sozinho, qual foi a motivação e o acontecimento em si”, disse Ventura.

De acordo com a investigação, Euler não teve auxílio de terceiros, mesmo para adquirir as armas de fogo que foram apreendidas com ele.

Além disso, apesar da numeração da pistola estar raspada, a polícia conseguiu determinar que ela foi adquirida pelo próprio atirador no Paraguai. “Apreendemos um farto material que veio a corroborar com as nossas suspeitas. O atirador queria se expor perante a mídia para que a vida dele fosse investigada”, frisou Caviolla.

Nos autos da investigação, a polícia concluiu que o atirador fez o trajeto até o local sozinho, sem ajuda. A constatação foi feita em três momentos: quando saiu de casa, passou pelo camelômedro e ao entrar na Catedral Metropolitana de Campinas, quando imagens foram captadas, e também testemunhos. “Foram realizados 19 laudos, e ouvidas várias testemunhas. Todos indicaram que ele agiu sozinho, sem motivação religiosa. Ele poderia fazer o ataque em qualquer outro local que tivesse um grande número de pessoas”, disse Caviolla.

O inquérito foi concluído com um documento de mais de 500 páginas, pelo menos 19 laudos de análises e muitas fotos, vídeos e anotações. Ele será enviado para o MP, que avaliará a conclusão das investigações.

A tragédia

Euler, o atirador da Catedral de Campinas, entrou na igreja por volta das 13h do dia 11 de dezembro, ao final da missa do meio-dia. Ele se sentou em um dos bancos, a cerca de 10 metros da entrada do local, e depois de uns 10 minutos se levantou, virou-se para trás e atirou em três fiéis que estavam no banco detrás. Na sequência, saiu atirando em quem estivesse em sua frente. No total, cinco pessoas morreram e ele se suicidou.

O atirador usou uma pistola automática 9mm para atirar contra as vítimas e guardava também, na cintura, um revólver calibre 38 que não foi usado no ataque.

Euler chegou a recarregar a arma e efetuou mais de 20 disparos. A ação durou menos de dois minutos.

No local ele matou quatro pessoas: Sidinei Vitor Monteiro, José Eudes Gonzaga Ferreira, Cristofer Gonçalves dos Santos e Elpidio Alves Coutinho. O aposentado Heleno Severo Alves, de 84 anos, morreu no dia seguinte, 12 de dezembro, no Hospital Municipal Mário Gatti.