Publicado 19 de Fevereiro de 2019 - 5h30

A Pedreira do Chapadão foi palco do segundo Festival de Arte Inclusão na Diversão, sábado. Cerca de mil pessoas marcaram presença no local, segundo a organização. O evento gratuito contou com apresentações musicais, de dança e teatro e a presença dos personagens da Turminha Inclusão na Diversão inspirados em crianças reais com deficiência atendidas pelo Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD).

A Turminha é em formato de fantoches e conta com cinco personagens: Sofia, criança cega; João Victor, com deficiência física; Jade, sem deficiência; Enzo, que tem deficiência intelectual (autista); e Isabela, criança surda. “Todas as modalidades das deficiências são representadas pela turminha, incluindo a criança sem deficiência, que representa a inclusão”, diz Kesia Oliveira, psicóloga do CRPD. O objetivo da ação é promover o protagonismo da pessoa com deficiência e oferecer a oportunidade para mostrar suas capacidades e revelar para a sociedade uma nova visão da pessoa com deficiência.

Para Regina Célia Buainain de Luca, que levou a filha cadeirante Claudia Regina de Luca, 35 anos, a ação foi de extrema importância e serve para mostrar que todos devem ser respeitados e valorizados, igualmente. “A minha filha faz parte da companhia de dança há 15 anos e vai se apresentar aqui. Esse evento serve para destacar a importância da interação e mostrar a sociedade que todas as pessoas podem realizar diversas atividades. Só uma pena que esse tempo não ajudou muito”, disse Regina. “Aqui, as pessoas conhecem as deficiências mais de perto, muita gente nunca viu um cego, um surdo, um mudo, mas vai perceber que, apesar das deficiências, elas podem e conseguem trabalhar como pessoas normais e, por isso, é importante esse festival, além das inúmeras atividades. Gostei muito de participar”, disse Alessandra Carolina Drummond, que possui deficiência auditiva.

O nome do festival é o mesmo nome da Turminha, que foi criada após o convívio das famílias que levaram suas crianças com deficiência para serem atendidas no CRPD. “Criamos as características de cada personagens a partir das histórias reais e as condições físicas limitantes de cada criança, que também são maravilhosas, normais como qualquer outra, que tem o direito de brincar, de estudar, interagir com outras crianças com ou sem deficiência, e ser feliz”, diz Kesia.

O projeto da Turminha foi escrito em maio de 2018 para um concurso do Programa de Ação Cultural (Proac), onde ganhou em primeiro lugar no estado. “A missão da Turminha é transmitir a mensagem da inclusão de forma lúdica, divertida e interativa através do teatro. Temos um sonho de levar a Turminha em todas as escolas públicas municipais de Campinas. Levando informação e conhecimentos sobre as modalidades das deficiências e suas características, e ensinar como conviver, aceitar, brincar e respeitar as diferenças das deficiências”, comenta a psicóloga. “Através dessa inclusão didática, a Turminha vai quebrando velhos paradigmas e preconceitos sociais onde as pessoas carregam a visão de que preceder é inútil, só dá trabalho, é melhor deixar dentro de casa, e queremos mostrar um novo conceito, a partir da Lei Brasileira de inclusão. Enfatizando uma nova visão do que é deficiência”, explica Kesia, que aponta ainda as barreiras ambientais. “Quando não tenho uma cidade acessível tenho uma barreira arquitetônica que tira o direito de uma pessoa cadeirante de ir e vir nos locais”, exemplifica. (Daniela Nucci/Da Agência Anhanguera)