Publicado 19 de Fevereiro de 2019 - 5h30

O transporte coletivo de Campinas registrou o número mais baixo de passageiros da história em janeiro deste ano. Segundo dados das concessionárias que administram o sistema de ônibus da cidade, apenas 5,9 milhões de usuários pagantes foram transportados no primeiro mês de 2019. Essa foi a primeira vez que o índice ficou abaixo dos seis milhões em um único mês. De acordo com a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) — entidade responsável pela gestão do sistema de bilhetagem eletrônica no município —, a queda é atribuída à crise econômica que o País atravessa e também à concorrência com novos modais de transporte, como os aplicativos Uber e 99 Táxi.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o primeiro mês de 2019 apresentou 4,9% passageiros a menos pagando para andar de ônibus. Já na comparação com janeiro de 2014 — quando o valor da passagem era R$ 3,00 (hoje custa R$ 4,70) —, a queda nos números atuais é ainda mais expressiva: 27,5%, ou 8,1 milhões de bilhetes comprados contra as atuais 5,9 milhões.

“O setor de transportes públicos é um dos primeiros a ser afetado quando se tem uma economia fragilizada. As pessoas acabam perdendo seus empregos e, consequentemente, acabam deixando de usar o ônibus como meio de transporte, porque não recebem mais o vale-transporte”, afirmou Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da Transurc.

De acordo com ele, os números refletem apenas o movimento nas linhas operadas pelas concessionárias do transporte do município. Apesar disso, ele admitiu que os índices divulgados ontem chamam a atenção negativamente. “A atual situação do transporte público de Campinas é bastante preocupante. Quanto menos você consegue transportar passageiros, maior fica o custo operacional. Se não houver uma receita para que você possa fazer os investimentos, todo o sistema ficará prejudicado”, afirmou. “Caso as autoridades que fazem a gestão do transporte público não tomem nenhuma providência, a tendência é cada vez você acumular mais e mais perdas”, ressaltou.

Questionado se a medida mencionada por ele para melhorar a arrecadação seria aumentar o valor das passagens ou dos subsídios do transporte público, Barddal se esquivou e disse cabe ao órgão que administra o transporte da cidade — no caso a Secretaria de Transportes — se manifestar sobre o assunto.

A reportagem tentou contato com o secretário de Transportes e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Carlos José Barreiro, para que ele pudesse explicar se alguma medida será tomada, mas a assessoria de imprensa informou que o secretário estava com uma agenda lotada.

Gratuidade cresce de 29,4% para 36,9% no mês passado

Se o número de passageiros do transporte coletivo de Campinas registra quedas consecutivas, o mesmo não se pode afirmar dos passageiros que utilizam a gratuidade para se locomover de ônibus no município. “Em 2014, cerca de 29,4% dos passageiros transportados deixavam de pagar passagens por ter algum tipo de gratuidade, total ou parcial. Em janeiro deste ano, o número saltou para 36,9%. De cada 10 passageiros transportados, cerca de quatro não pagam passagem atualmente”, explica Barddal. Têm direito à gratuidade portadores de deficiência e idosos. (HH/AAN)