Publicado 08 de Fevereiro de 2019 - 5h30

A Polícia Civil de Campinas prendeu ontem dois homens suspeitos de integrarem uma quadrilha de pichadores. Antônio Henrique de Oliveira Santos, conhecido como Baby, de 26 anos, e Alan Barbosa Pereira, o Arriscado, de 27, foram detidos com base em mandado de busca e prisão, expedidos pela 5 Vara Criminal. Eles foram presos temporariamente por cinco dias. A dupla é investigada pelo 10 Distrito Policial após pichação, em dezembro passado, em três prédios no Jardim Guarani. Conforme os investigadores, os suspeitos são ousados e têm o hábito de exibir nas redes sociais suas ações.

As buscas foram realizadas no Parque Dom Pedro 2 e Jardim Adhemar de Barros. Na casa deles foram apreendidos diversos apetrechos usados na pichação e três pés de maconha, além de uma moto e de um veículo.

Os policiais chegaram à dupla após receberem denúncias de síndicos de prédios localizados ao lado do Estádio Brinco de Ouro e na Avenida Princesa d´Oeste. Os suspeitos têm como tática arrombar portões e portas, invadir os prédios e depois subir e descer por elevadores. Antes da invasão, o bando estuda se os locais contam com segurança ou porteiro noturnos.

Em um dos casos do Jardim Guarani, foi filmada a circulação de três homens em um dos edifícios durante a madrugada. “Os representantes dos prédios procuraram a delegacia para registrar o boletim de ocorrência e também pelo medo causado. Com as informações iniciamos as investigações, que duraram dois meses. Foram analisadas diversas escritas, imagens de sistemas de seguranças e redes sociais e com estas informações identificamos o Antônio e o Alan”, contou o chefe de investigações, Marcelo Hayashi.

Os policiais descobriram que a quadrilha atua em várias cidades do Estado e usa quatro assinaturas distintas — Sumário, Arriscado, Rigor e Talento — , seguidas da letra A como marca, que se refere Anarquista. O grupo conta com integrantes da Capital e costuma se reunir todas as sextas-feiras em um shopping da cidade para organizar o vandalismo. “Eles tiram fotos no interior de elevadores de prédios e exibem matérias jornalísticas de detenções como troféus de seus feitos”, disse Hayashi.

As pichações são sempre feitas de cima para baixo. Eles sobem até o último andar e da cobertura usam cabos de madeira longos para fazerem os rabiscos. Segundo Hayashi, os suspeitos usavam um Renault Sandero para chegar nos locais alvos. O veículo está com o adesivo de um aplicativo de transporte. “Eles levam pincel, tinta e cabos de madeira e alegam que picham porque vivem uma vida louca. Tanto que um dos nomes que usam é arriscado, uma referência ao risco que praticam”, falou o chefe de investigação.

A dupla vai responder por crime ambiental e formação de quadrilha. “Esse tipo de delito, além de causar grande prejuízo financeiro às vítimas, causa uma sensação de ausência do poder público, além de emporcalhar a cidade”, disse o delegado Cássio Vita Biazolli. Também foi feito contra os suspeitos um Termo Circunstanciado (TCO) em relação aos pés de maconha que cultivavam.

Reincidentes

Antônio Henrique de Oliveira Santos e Alan Barbosa Pereira já foram detidos pela PM no final de dezembro de 2013. Na época, eles e mais um amigo foram pegos após picharem a cobertura do Edifício Saldanha Marinho, na região central de Campinas. O trio estava na companhia de ao menos cinco comparsas. O bando foi descoberto quando deixava o prédio, por um morador que havia perdido o sono e olhava o sistema de segurança local. Na época, outros dois prédios da região também foram alvos de vândalos na mesma madrugada.

Eles foram detidos, mas liberados após a elaboração de um termo circunstanciado, cuja pena aplicada foi prestação de serviço. O feito e mais as reportagens que saíram na imprensa sobre o vandalismo foram publicados pelos pichadores como troféus nas redes sociais do bando.

As fotos mostram o vandalismo e também os próprios autores, de costas, usando o spray para fazer as pinturas, além dos prédios e monumentos já pichados. São cerca de 400 fotos, a maioria com comentários de outros usuários e mensagens de incentivo. Em algumas imagens, outros pichadores, identificados apenas por apelidos, recomendam o grupo a deixar de fazer esse tipo de exposição na rede.