Publicado 08 de Fevereiro de 2019 - 5h30

As obras de implantação do Corredor BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) Ouro Verde na altura do número 3.751 na Avenida das Amoreiras têm provocado rachaduras em imóveis. A denúncia é de moradores da Rua das Gardênias na Vila Mimosa, em Campinas. Pelo menos três residências e um estabelecimento comercial apresentaram fendas depois do início dos trabalhos, segundo relatos dos proprietários.

De acordo com eles, quando maquinários pesados — como tratadores — são utilizados, as trepidações são intensas e chegam a movimentar objetos como computadores e vasos. A via fica a um quarteirão de distância do local onde ocorrem as intervenções.

Antônio Carlos Zuffo, professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisou que, de forma conjuntural, obras desse porte podem gerar impactos em imóveis próximos ocasionando avarias. Contudo, enfatiza que para determinar se isso aconteceu nesses casos, em específico, é necessário confrontar análises prévias e atuais das condições de cada imóvel.

De acordo com os moradores, as fissuras começaram a aparecer entre novembro e dezembro de 2018. Na época, a Avenida das Amoreiras recebia os trabalhos de compactação de solo.

Moacir Cavanha, aposentado de 70 anos, reside no número 45 há quase 30 anos. Em sua residência, as rachaduras aconteceram em paredes da garagem, em uma edícula no quintal do imóvel, no chão e no entorno da piscina. “Não acionei a Prefeitura, porque não sei o setor que devo procurar”, afirmou. Ele revelou ter gasto cerca de R$ 700 para cimentar as trincas. Cavanha disse que sua maior preocupação é alguém se machucar, caso ocorram avarias mais relevantes na casa. “O forro do teto da sala do meu vizinho, do número 47, caiu”, comentou.

Mais reclamações

Luis Alberto Nunes, aposentado de 72 anos, reside no número 31, onde o problema se repete. Até agora, dois quartos da casa apresentaram rachaduras, segundo ele.

Proprietário da Cremil Sorvetes e Açaí, situada na esquina da Rua das Gardênias com a Avenida Ana Beatriz Bierrembach, João de Castro, 54 anos, diz ter notado pequenas aberturas em algumas paredes do imóvel, recentemente reformado. O empresário reclama ainda do barulho em alguns períodos.

Raquel Corte, que atua no financeiro do Centro Automotivo Porto Seguro, na Avenida das Amoreiras, em frente ao trecho em obras, endossa a reclamação. Segundo a auxiliar administrativa, o estridente ruído e as mudanças no trânsito resultaram em queda no faturamento da empresa. Porém, ela não soube informar se houve algum dano na estrutura física da loja.

Ciente das queixas, o vereador Nelson Hossri (Podemos) questionou a Prefeitura sobre a situação. O parlamentar pretende acionar a Justiça, caso o Poder Executivo não apresente uma solução. “Nenhum morador recebeu a visita de técnicos da Prefeitura informando sobre os riscos que as obras poderiam causar. Eles precisam ser ressarcidos dos prejuízos que estão sofrendo”, defendeu.

Megaobra vai custar R$ 451 mi

O BRT campineiro, composto por três corredores (Campo Grande, Ouro Verde e Perimetral), totalizando 36,6 km de extensão, custará R$ 451,5 milhões e deve ser concluído até maio de 2020.

O corredor Ouro Verde terá 14,6 km de extensão. Os ônibus sairão da região central passando sucessivamente pelas avenidas João Jorge, Amoreiras, Ruy Rodriguez, chegando ao Terminal Ouro Verde, Camucim, de onde segue para o Vida Nova. Nesse trajeto serão promovidas quatro obras. Já o BRT Perimetral ficará entre os dois corredores, totalizando 4,1 km de extensão, que ligarão a Vila Aurocan até o Campos Elíseos, seguindo também pelo desativado VLT.

Emdec diz ter canal para reclamações

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) informou, em nota, que disponibiliza para a população canais de atendimento e registro sobre reclamações envolvendo qualquer assunto relacionado às obras de implantação dos corredores BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) no município. Pelo telefone 118, o “Fale Conosco Emdec”, na opção 8. Também no site da Emdec, no endereço eletrônico , na seção “Fale Conosco” é possível relatar o problema.

"É realizada a apuração de todas as reclamações sobre danos aos imóveis, inclusive com vistoria ao local informado, feita pelas empreiteiras. Caso seja procedente a reclamação, as providências necessárias para a solução do problema são devidamente tomadas”, encerra a nota. (DC/AAN)