Publicado 08 de Fevereiro de 2019 - 5h30

O ex-presidente Lula da Silva cumpre o seu purgatório por conta de seus crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, depois de usar seu prestígio no cargo para auferir vantagens pessoais que vêm sendo listadas em sucessivos processos na Justiça. Nesta quarta-feira, mais uma corrente foi colocada ao peso de sua pena, com a condenação a 12 anos e 11 meses no processo referente ao recebimento de propina através de benfeitorias no Sítio de Atibaia. Mesmo ainda cabendo recurso que certamente será utilizado pela sempre pronta banca de defesa do ex-presidente, a notícia coloca uma pá de cal no caso Lula, que manteve até agora o seu discurso de inocência e perseguição de uma Justiça politizada.

Assim que anunciada a segunda condenação, lideranças petistas dispararam sua defesa informal, alegando que Lula foi condenado por um sítio que sequer era seu. Com razão, e isto foi claramente desconsiderado na sentença, que enumerou todas as evidências da distribuição de vantagens ao ex-presidente e seus familiares, reconhecidos como maiores usuários do local. Mas restará a insistente convicção de que Lula é um mártir do partido, única referência que restou na tentativa de resgatar algum legado que tenha ficado no passado construído em 14 anos no poder. Mas o acúmulo de sentenças e a suspeição de onde vêm os recursos para pagar uma banca de advogados destacados por tanto tempo se incumbirão de fazer desmoronar o mito que Lula encarnou, sempre lembrando que mitos, etimologicamente, não têm o pé firme na realidade. Ainda faltam outros tantos processos que podem prolongar a estadia do ex-presidente na cadeia, cada vez mais distante da possibilidade de uma redução de pena.

O último recurso desesperado dos seguidores de Lula é a patética investida para nomeá-lo candidato a um Prêmio Nobel da Paz em busca de algum reconhecimento internacional para a causa petista, que aos poucos vai se desfazendo no confronto das informações sobre a realidade brasileira, muito diversa do que se tentou vender no Exterior. Lula, que foi incensado como uma proeminente liderança popular no hemisfério Sul, vai sendo desmascarado em sua incontrolável obsessão pelo poder a qualquer preço, mesmo que tenha penhorado seu capital político pelo esquema de corrupção que levou à derrocada de seu partido, dos governos petistas e de sua carreira que acaba melancolicamente no isolamento solitário em uma cela na Polícia Federal, por enquanto.