Publicado 27 de Fevereiro de 2019 - 12h20

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, se mostraram otimistas nesta quarta-feira em Hanói no início de sua segunda cúpula, oito meses após o histórico encontro de Singapura.Ao se encontrarem, os dois líderes apertaram as mãos diante de uma fila de bandeiras norte-americanas e norte-coreanas em um hotel de luxo na capital do Vietnã.Trump previu que as negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte serão "muito bem-sucedidas".Kim Jong Un, por sua vez, afirmou estar certo de que sua cúpula com Trump vai produzir resultados positivos. "Estou certo de que um resultado será alcançado desta vez, e será bem recebido por todas as pessoas", afirmou Kim a Trump. "Eu farei o meu melhor para que isso aconteça".O presidente americano está sob pressão desde a primeira cúpula com o líder norte-coreano, em junho passado, que foi concluída com uma vaga declaração sobre a "desnuclearização da península coreana", mas sem compromissos concretos.Seus adversários temem que Trump faça muitas concessões, incluindo às custas de seus aliados sul-coreano e japonês, para clamar vitória e desviar a atenção do que acontece em Washington, onde seu ex-advogado Michael Cohen depõe ante uma comissão do Senado.Questionado sobre essa audiência, Trump deu as costas.Um fato incomum provocou tensões com a imprensa. A Casa Branca limitou o acesso aos dois líderes a uma pequena quantidade de jornalistas, muito menor que o habitual "pool" para fotografias, imagens e declarações.Nenhum dos dois deu indicações sobre avanços concretos que poderiam ser anunciados na quinta-feira, o segundo e último dia desta cúpula na capital vietnamita.- 'Meu amigo Kim' -Ao final do breve encontro, Trump e Kim participaram de um jantar com alguns assessores no Sofitel Legend Metropole, um luxuoso estabelecimento no centro da capital.Trump esteve acompanhado por seu secretário de Estado, Mike Pompeo, e por seu chefe de gabinete, Mick Mulvaney. Kim Jong Un foi com Kim Yong Chol, seu assessor de confiança, e com Ri Yong Ho, ministro das Relações Exteriores.Horas antes da cúpula, previu um futuro "MARAVILHOSO" para a Coreia do Norte se seu líder concordar em desistir de seu arsenal nuclear. O presidente referiu-se ao líder norte-coreano como "meu amigo", uma diferença brutal da época em que os dois trocavam insultos pessoais e ameaças de destruição no auge das tensões sobre os programas de armas norte-coreano.Criticado pela falta de resultados tangíveis, Trump sugeriu que "os democratas deveriam parar de falar sobre o que eu deveria fazer com a Coreia do Norte e ao contrário perguntar a si próprios porque não o fizeram durante os oito anos do governo Obama?", em alusão ao seu antecessor na Casa Branca.Os diálogos de dois dias visam a dar alguma definição à vaga declaração divulgada depois da histórica cúpula bilateral de Singapura.Na ocasião, Kim se comprometeu a trabalhar "rumo à completa desnuclearização da península coreana", mas desde então os avanços diplomáticos estagnaram devido a desavenças sobre o que isto significaria.Trump parece ter reduzido as expectativas americanas para a cúpula, ao afirmar que ficaria feliz se Pyongyang interrompesse seus contínuos testes nucleares e com mísseis.Os Estados Unidos também poderiam aceitar gestos simbólicos, como a abertura de um escritório de contato ou uma declaração para encerrar oficialmente a Guerra da Coreia, que terminou em 1953 com um simples armistício.Trump insiste que não está com pressa para convencer o Norte a desistir de seu arsenal nuclear, enquanto o país continuar sem disparar mísseis. Em Singapura, Trump surpreendeu seus próprios colaboradores ao anunciar a suspensão de manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul, uma demanda do Norte que as considera como a simulação de uma invasão de seu território. bur-ev-jca/mf/sgf/pa/zm/mb/mr

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