Publicado 20 de Fevereiro de 2019 - 19h40

Por AFP

A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira (20) ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que reconheça a grave crise socioeconômica e que permita a entrada da ajuda humanitária no país solicitada pelo opositor Juan Guaidó, mas advertiu sobre o uso da assistência "como ferramenta de negociação política"."Esperamos que as autoridades sob o comando de Nicolás Maduro não apenas reconheçam esta gravíssima crise (...) mas que também garantam a entrada da ajuda e que ela seja encaminhada às comunidades e pessoas mais necessitadas", disse Erika Guevara, diretora para as Américas da Anistia Internacional.Um carregamento de alimentos e remédios doados pelos Estados Unidos está armazenado na Colômbia, enquanto outros países latino-americanos e europeus se comprometeram a destinar milhões de dólares em assistência, atendendo a um pedido de Guaidó, reconhecido por 50 nações como presidente interino da Venezuela.Mas a ajuda humanitária está no meio de uma disputa política entre Guaidó e Maduro, que ordenou a proibição da assistência por considerar como um primeiro passo para uma intervenção militar para derrubá-lo."Os Estados têm a obrigação de prover esta cooperação internacional sem nenhuma condição e garantir que esta cooperação, esta assistência, chegue diretamente às mãos das pessoas em maior situação vulnerabilidade", disse Guevara aos países colaboradores."O sofrimento generalizado destas pessoas (que esperam a ajuda) não deve ser usado como uma ferramenta de negociação política", acrescentou a representante da entidade de defesa dos direitos humanos durante uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.A Venezuela nega a existência de uma crise humanitária e atribui a hiperinflação e a severa escassez de alimentos e remédios, que forçaram o exílio de 2,3 milhões de pessoas desde 2015, às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.Guevara indicou que a Anistia Internacional não acompanhará o plano de Guaidó para fazer entrar a ajuda humanitária neste sábado pelas porosas fronteiras com a Colômbia e Brasil.Apesar disso, pediu que a coordenação da ajuda fique a cargo de entidades da sociedade civil "para garantir que esta assistência chegue às mãos das pessoas mais necessitadas sem ações políticas ou condições de entrega".rsr/mbj/lda/lca/mvv

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