Publicado 18 de Fevereiro de 2019 - 23h30

Por AFP

O presidente americano, Donald Trump, incentivou nesta segunda-feira (18) os militares venezuelanos a aceitarem a anistia oferecida pelo líder opositor Juan Guaidó, caso contrário "perderão tudo"."Podem escolher entre aceitar a generosa oferta de anistia do [autoproclamado] presidente Guaidó e viver sua vida em paz com suas famílias e seus compatriotas, ou podem eleger o segundo caminho: continuar apoiando [o presidente Nicolás] Maduro. Se elegerem este caminho, não encontrarão um refúgio, não haverá uma saída fácil. Perderão tudo", disse Trump a cerca de 300 venezuelanos em Miami, referindo-se aos militares.De Caracas, Maduro respondeu: "Donald Trump acredita na potestade de dar ordens e que a Força Armada Nacional Bolivariana vai cumprir as ordens dele"."A Donald Trump, o chefe do império, vamos responder com a moral, com a verdade, com união. Subestimam um país inteiro", disse durante ato de governo transmitido pela TV venezuelana.Mais cedo, Juan Guaidó também exigiu aos militares que deixassem entrar no país a ajuda humanitária, apesar de o governo de Maduro ter ordenado bloqueá-la por considerá-la o início de uma invasão militar americana."A ordem está dada. De novo, senhores da Força Armada: permitam que entre a ajuda humanitária, têm a oportunidade de se colocar ao lado da Constituição, das necessidades do povo", assegurou Guaidó, líder do Congresso de maioria opositora.Reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países, Guaidó está preparando mobilizações em todo o país para acompanhar voluntários que irão à fronteira em caravanas de ônibus em busca de toneladas de remédios e alimentos, armazenados no Brasil, na Colômbia e em Curaçao."Em 23 de fevereiro, a ajuda humanitária de um jeito ou de outro vai entrar na Venezuela e em todos os cantos do país vamos nos mobilizar. As brigadas irão em caravana, enquanto haverá protestos (...). Não será através do medo que vão nos deter", assegurou.As remessas de assistência realizadas em aviões militares dos Estados Unidos permanecem nos armazéns da cidade colombiana de Cúcuta, perto da ponte fronteiriça de Tienditas, bloqueada por militares venezuelanos com caminhões e outros obstáculos.O senador cubano-americano Marco Rubio, um dos artífices da política de Trump com relação à Venezuela, disse em Miami, após voltar de uma visita relâmpago a Cúcuta, que "se os Estados Unidos agirem militarmente em qualquer parte do mundo, vão saber".Um segundo centro de armazenamento no Brasil será aberto no estado fronteiriço de Roraima e nesta terça-feira um avião chegará de Miami a Curaçao com mais ajuda americana, segundo a equipe de Guaidó.A Força Armada, principal base de sustentação de Maduro, reforçará a presença nas fronteiras, pois na avaliação de Maduro, a ajuda humanitária é um show e o prelúdio de uma ação militar não descartada pelo governo de Donald Trump.- Concertos pró e contra Guaidó -Guaidó marcou para a entrada da ajuda o dia em que completa um mês de se autoproclamar como presidente encarregado, depois que o Congresso declarou Maduro usurpador ao considerar sua reeleição fraudulenta.Um dia antes será celebrado em Cúcuta um concerto com artistas internacionais, organizado pelo bilionário britânico Richard Branson para arrecadar US$ 100 milhões em 60 dias, que se somarão aos mais de US$ 110 milhões já arrecadados, segundo Guaidó.Assistirão ao concerto os presidentes da Colômbia, Iván Duque, e do Chile, Sebastián Piñera.Em contrapartida, o governo de Maduro anunciou nesta segunda um concerto de dois dias, em 22 e 23 de fevereiro, na ponte Simón Bolívar, que liga Cúcuta à cidade venezuelana de San Antonio."Será uma mensagem de denúncia contra a agressão brutal à qual tentam submeter" a Venezuela, declarou o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, que disse que também serão enviadas a Cúcuta caixas de alimentos e que haverá dias de atendimento médico gratuito.Guaidó, de 35 anos, não revelou como pretende vencer o cerco imposto por Maduro, mas assegura que no sábado haverá uma "avalanche humanitária" e que espera que os 700.000 voluntários registrados cheguem a um milhão.Nesta segunda, a oposição denunciou que o site para o registro de voluntários foi bloqueado pela estatal CANTV, a maior provedora de telefonia e Internet na Venezuela. A AFP constatou que a página não funciona com este serviço, mas sim com o de companhias privadas.Os venezuelanos sofrem com a falta de medicamentos e insumos hospitalares, além de uma voraz hiperinflação que o FMI prevê em 10.000.000% este ano. Fugindo da crise, 2,3 milhões de venezuelanos (7% da população) emigraram desde 2015, segundo a ONU.Mas Maduro, que taxa a ajuda enviada pelos Estados Unidos de "migalhas" de "comida podre e contaminada", e culpa pela crise as sanções financeiras de Washington.- "Não há possibilidade de uma guerra" -O conflito pela ajuda humanitária sofreu uma escalada em nível internacional. Rússia, China, Turquia, Irã, Cuba e outros aliados de Maduro condenaram a "ingerência" dos Estados Unidos e de outros países.No domingo, o governo proibiu a entrada no país de cinco deputados do Grupo do Partido Popular Europeu (PPE) e do sub-secretário geral dessa formação, que pretendiam se reunir com Guaidó, mas foram devolvidos no aeroporto internacional.A União Europeia (UE) advertiu nesta segunda-feira para o perigo de uma escalada militar, dois dias antes da chegada de uma missão do grupo de contato que impulsiona uma saída para a crise através de eleições presidenciais."Não há possibilidade de uma guerra civil (...), 90% dos venezuelanos querem mudanças, falam de ajuda humanitária, do futuro. São eles que falam de guerra", afirmou Guaidó.

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