Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 20h40

Por AFP

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou nesta quinta-feira (7) implementar um plano de segurança em uma mina de urânio desativada em 1995 no estado de Minas Gerais, devido ao risco de "rompimento" de uma barragem com material radioativo.Uma inspeção da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em novembro de 2018 constatou que a infraestrutura de uma barragem da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) no município de Caldas tem "risco de rompimento devido a possíveis processos de erosão interna", indicou o Ministério Público de Pouso Alegre em um comunicado.A revisão foi feita depois que a INB, que operou a mina entre 1982 e 1995, constatou um evento não usual na estrutura da represa em setembro.O comunicado foi emitido quando o país está sob a comoção provocada pelo rompimento, em 25 de janeiro, da barragem de contenção de resíduos de minério de ferro da empresa Vale em Brumadinho, que deixou 150 mortos e 182 desaparecidos, segundo o mais recente balanço.O procurador de Pouso Alegre, Lucas Gualtieri, explicou à AFP que a INB informou que está substituindo o "sistema extravasor". Segundo o estudo da UFOP, ele corria o risco de "rompimento devido a possíveis processos de erosão interna".Mas até a data, acrescentou Gualtieri, não estão adotando "providências de segurança para resguardar a população do entorno e o próprio meio ambiente em caso de rompimento"."Não existe uma conclusão técnica segura a respeito do nível de estabilidade da barragem, então o MPF adotou as recomendações", acrescentou.O plano de segurança, que deveria ser aplicado antes de 30 de março, inclui medidas que vão "desde o contato com os residentes com potencial de ser atingidos em caso de rompimento, instalação de sirenes de emergência, ou contato com as prefeituras", indicou.A INB, segundo seu site, monitora "permanentemente" os rejeitos radioativos depositados na mina para "proteger o meio ambiente e assegurar a saúde dos trabalhadores da unidade e dos moradores da região".A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que regula o setor, declarou à Agência Brasil estar avaliando as "garantias de segurança e da estabilidade da barragem" solicitadas ao INB.Mas o procurador expressou a sua preocupação porque a CNEN, além de ser "fiscalizador, é o controlador do 99% das ações da INB"."Então, o regulado, o fiscalizador e o controlador são basicamente a mesma pessoa".O Brasil tem a nona maior reserva mundial de urânio, segundo dados de 2017 da World Nuclear Association. Este metal é usado principalmente como combustível para reatores nucleares.val/js/ll/cb

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