Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 18h40

Por AFP

Um militar americano de alto escalão disse nesta quinta-feira (7) que a situação na Venezuela é "grave" e assegurou que as Forças Armadas dos Estados Unidos estão preparadas para proteger seus diplomatas e instalações no país "se for necessário".O almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul americano, que abarca América Central, América do Sul e Caribe, assinalou que os soldados venezuelanos estão morrendo de fome e que Washington está atento a sinais de uma quebra na lealdade ao presidente Nicolás Maduro, a quem o governo de Donald Trump considera um "ditador"."A situação na Venezuela é grave", disse Faller durante uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado."O governo ilegítimo de Maduro mata de fome o seu povo usando a comida como uma arma, enquanto os generais corruptos são recompensados com o dinheiro do narcotráfico, os lucros do petróleo e as empresas, tudo às custas da população e das fileiras militares", acrescentou.E assinalou: "Enquanto Rússia, Cuba e China apoiam a ditadura de Maduro, o resto do mundo está unido. O Comando Sul está apoiando os esforços diplomáticos, e estamos preparados para proteger a equipe e as instalações diplomáticas dos Estados Unidos se for necessário".O governo Trump foi um dos primeiros a reconhecer o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, autoproclamado em 23 de janeiro, e impulsiona junto com outros países a saída de Maduro do poder, a quem advertiu que "todas as opções estão sobre a mesa" se recorrer à força.Faller chamou os militares venezuelanos de uma "força degradada", mas que "continua sendo leal a Maduro, e isso a torna perigosa".Disse que os Estados Unidos estão procurando sinais de que a lealdade do Exército venezuelano a Maduro possa estar "rachando", mas se negou a dar mais detalhes na audiência pública.A pressão internacional está se intensificando para que Maduro entregue o poder a um governo de transição liderado por Guaidó, chefe do Parlamento reconhecido por 40 países desde que se autoproclamou presidente interino com o objetivo de organizar novas eleições. Faller, que assumiu o Comando Sul em novembro, disse que havia visitado a fronteira entre Colômbia e Venezuela, onde tropas americanas a bordo do navio hospitalar USNS Comfort forneciam atendimento.Contou ter visto "meninos" que perderam até 13,5 quilos em um ano. "Estão muito magros, nunca haviam recebido atendimento médico. Achamos que essa condição afeta grande parte da população e acreditamos que a população está pronta para um novo líder", segundo Faller. A Venezuela está afundada na pior crise econômica de sua história moderna, com uma severa escassez de alimentos e remédios, além de uma inflação estimada de 10.000.000% para este ano, uma situação que, de acordo com a ONU, obrigou 2,3 milhões de pessoas a deixar o país desde 2015.

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