Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 17h50

Por AFP

O grupo Estado Islâmico (EI) controla menos de 1% do seu autoproclamado "califado", que abarcava amplas regiões de Síria e Iraque, anunciou a coalizão internacional nesta quinta-feira (7).Os extremistas conseguiram capturar grande setores desses dois países em 2014, mas as ofensivas internacionais, em apoio às tropas locais, reduziram o território sob o seu controle a quase nada.Os extremistas estão encurralados no último foco no leste da Síria, na província de Deir Ezzor, fronteiriça com o Iraque, ante a ação final das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança árabe-curda apoiada pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.Na Síria, estas "forças aliadas (...) libertaram 99,5% dos territórios controlados pelo EI", anunciou a coalizão em um comunicado."Enquanto continuamos pressionando os combatentes do EI que se encontram em um setor cada vez menor, menos de 1% do 'califado', os extremistas tentam escapar misturando-se com mulheres e crianças inocentes que tentam fugir dos combates", acrescenta o comunicado."Essas táticas não vão funcionar", indica um comandante adjunto da coalizão, o general britânico Christopher Ghika, citado no texto.As FDS operam atualmente na província de Deir Ezzor contra o último reduto do EI, perto da fronteira iraquiana, um setor de quatro km2.- Os estrangeiros do EI -Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, se mostrou muito otimista, considerando que a vitória contra os extremistas é iminente.Em dezembro, Trump anunciou a retirada de 2.000 soldados americanos enviados à Síria para apoiar as FDS."O anúncio formal de que tomamos 100% do califado deve sair na semana que vem", disse na quarta-feira."Não quero anunciar muito cedo", destacou. "Ainda existem alguns focos", "que serão cada vez menores", mas "podem ser perigosos", reconheceu Trump.Há alguns dias a ofensiva das FDS foi suspensa. Os combatentes das FDS no terreno explicam que os extremistas usavam os civis ainda presentes no reduto como "escudos humanos"."As FDS suspenderam há alguns dias a sua ofensiva, o que lhes permite se reorganizar e reforçar as suas posições", confirmou nesta quinta em uma coletiva de imprensa em Paris o porta-voz do Estado-Maior francês, o coronel Patrik Steiger.Há vários dias, centenas de pessoas - mulheres e crianças com seus pertences - chegam às posições controladas pelas FDS, fugindo do último reduto do EI, constatou a AFP.Desde o início de dezembro, mais de 37.000 pessoas fugiram deste último bastião extremista, principalmente famílias de combatentes do EI, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Entre eles há 3.400 extremistas, segundo a mesma fonte.Também há estrangeiros, parentes de extremistas, sob custódia das FDS e que pedem para ser repatriados aos seus países de origem.Apesar da pressão de parte da opinião pública, a França resolveu o retorno dos extremistas franceses. Não se sabe quantos são, mas diferentes fontes evocam o caso de 130 pessoas, entre elas 50 homens e mulheres, e dezenas de crianças.Na quarta-feira, em um campo de deslocados no norte da Síria, dezenas de mulheres estrangeiras e seus filhos recém-chegados do último reduto do EI esperavam em uma região para que lhes dessem uma barraca, constatou a AFP.As mulheres usando niqab falavam com seus filhos, pálidos e fracos, em inglês ou francês.O conflito na Síria, iniciado em 2011, se tornou mais complexo com os anos e a intervenção de múltiplos atores estrangeiros. Desde então, deixou mais de 360.000 mortos e milhões de deslocados.lar/tgg/gk/pa/mb/cb

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