Publicado 07 de Fevereiro de 2019 - 15h10

Por AFP

"Hoje, o futebol masculino dá dinheiro, o feminino, custos, o futebol feminino deve dar dinheiro e dar dinheiro", disse a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, durante uma conferência em Paris, a quatro meses da Copa do Mundo Feminin, que será realizada na França (de 7 de junho a 7 de julho)."Só lamento uma coisa: os dirigentes homens não enxergam esse tesouro na frente deles, que pede para ser explorado", insistiu. Na Copa do Mundo masculina de 2018, na Rússia, a Fifa dedicou 400 milhões de dólares ao torneio. "Para as mulheres na Copa do Mundo de 2019, há 30 milhões (de uma contribuição global de 50 milhões de dólares). Não é suficiente para as jogadoras, mas nós duplicamos os valores", lembrou a dirigente.Em relação aos sócios da Fifa, "a Copa do Mundo Feminina é hoje comercializada como um subproduto do masculino", reconheceu."As pessoas o compram em um pacote como o Sub-21 ou o Mundial de Clubes. O objetivo da Fifa é ter um produto específico que possa ser comercializado e arrecade o suficiente para desenvolver sua infraestrutura", disse Fatma Samoura, durante o colóquio organizado pela News Tank Football, um meio de informação destinado aos profissionais.Do 'maná financeiro' que os direitos televisivos do futebol mundial representam, apenas "cerca de 1% chega ao futebol feminino. É inaceitável. É um escândalo no século XXI. É preciso dizê-lo assim", acrescentou.Apesar de tudo, Fatma Samoura se disse confiante no futuro do futebol feminino, insistindo no grande "impacto social" que o Mundial de 2019 pode causar entre os jovens e a feminização das instâncias do futebol iniciada pela Fifa. "Dos 700 funcionários da Fifa, mais de 320 são mulheres hoje em dia. (...) Em outubro passado, lançamos pela primeira vez uma estratégia para o futebol feminino", afirmou, antes de insistir em que "é um degrau que devemos subir em todos os niveis".Segundo seus dados, entre 450 e 500 milhões de homens no mundo inteiro jogam futebol hoje em dia e "o objetivo da Fifa é que tenhamos até 2026, 60 milhões de mulheres que pratiquem o esporte".adc/yk/psr/aam

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