Publicado 27 de Fevereiro de 2019 - 9h15

Por Francisco Lima Neto

A Câmara deve terminar hoje a leitura do relatório e iniciar a votação até o início da noite

Leandro Ferreira/AAN

A Câmara deve terminar hoje a leitura do relatório e iniciar a votação até o início da noite

A Câmara de Campinas deve julgar hoje se condena ou absolve o prefeito Jonas Donizette (PSB) da acusação de omissão, negligência e procedimento incompatível com a dignidade e o decoro do cargo no Caso Ouro Verde. A leitura do processo e relatório da Comissão Processante (CP) que investigou o caso começou ontem, às 17h.

O processo e o relatório, que somam 1.890 páginas, e inocentam o prefeito das acusações, deveriam ser lidos na íntegra. No entanto, o vereador denunciante, Marcelo Silva (PSD), e o advogado do prefeito, Marcelo Pelegrini, abriram mão da leitura integral e escolheram partes específicas, limitando a leitura a 817 páginas.

O ritmo da leitura até a noite de ontem era de cerca de dois minutos por página. Se esse ritmo for mantido, a leitura deve ser finalizada por volta das 15h, segundo a Casa. Após isso, cada vereador pode falar durante 15 minutos e ainda solicitar a releitura de algum trecho específico. O advogado do prefeito terá duas horas para fazer a defesa. Se nada de diferente acontecer, o julgamento deve ocorrer no final da tarde ou começo da noite de hoje.

Rodrigo da Farmadic (PP) começou a leitura às 17h e seguiu até as 17h54. Na sequência Pedro Tourinho (PT) assumiu a missão, mas passou o bastão para Zé Carlos (PSB) as 18h11. Vinte e nove vereadores estavam no plenário. Apenas quatro estavam ausentes: Luiz Rossini (PV), Paulo Galtério (PSB), Professor Alberto (PR) e Vinicius Gratti (PSB).

O clima estava ameno e durante a leitura houve muita movimentação e conversas no plenário. Inclusive, em um momento formou-se uma roda de conversa entre os vereadores Marcelo Silva, Tenente Santini (PSD) e o advogado do prefeito. A conversa era bem amistosa.

Marcelo Silva reclamou apenas que das 61 páginas do relatório final, "50 contemplavam a defesa do prefeito e apenas 11 os depoimentos das minhas testemunhas".

O advogado de Jonas disse que o prefeito não deve comparecer à Câmara para acompanhar o julgamento, pois foi ao interrogatório, que "é o maior exercício de defesa".

"A expectativa é de ganhar. De que seja mantido o relatório da Comissão sobre a improcedência da acusação", finalizou.

Relatório

Segundo o relatório de Gilberto Vermelho (PSDB), relator da comissão, as interceptações telefônicas feitas pelo Ministério Público não captaram conversa do prefeito com qualquer envolvido no esquema criminoso, e nem com o secretário Sílvio Bernardin, preso na terceira fase da Operação Ouro Verde. “Aliás, não há testemunhos de qualquer pessoa que tenha se reunido com o prefeito ou ouvido dele qualquer concordância com os fatos investigados”, disse.

O denunciante disse que o relatório é tendencioso porque não falou dos documentos juntados por ele, nem das fases das investigações pelo MP. “Não há nenhum trecho da fala da minha testemunha (Daniel Câmara), que era a mais importante, e que falou do esquema de corrupção na Prefeitura”, afirmou. Daniel Câmara, delator do Caso Ouro Verde, disse, em depoimento na CP, que o esquema de corrupção no Hospital Ouro Verde visava garantir recursos para pagamento de dívidas de campanha da reeleição do prefeito Jonas Donizette (PSB) em 2016. “Há inúmeros indícios que o prefeito sabia do esquema de corrupção”, afirmou o vereador. Como denunciante, ele não pode participar da sessão. O suplente, Ângelo Diniz, foi convocado.

Escrito por:

Francisco Lima Neto