Publicado 27 de Fevereiro de 2019 - 0h02

Por Carlo Carcani Filho

Após a vitória sobre o São Caetano, o técnico do Guarani, Osmar Loss, falou sobre as vaias que recebeu durante a partida. Ele disse que compreende as vaias, mas que seria melhor para o clube se o torcedor deixasse para manifestar sua insatisfação ao final da partida. Vaias com a bola rolando prejudicam o próprio time.

Loss está coberto de razão. Admiro muitas características do futebol europeu, mas uma delas me dá inveja. É muito comum ver torcidas de times pequenos e médios que se comportam de maneira totalmente diferente em situações de adversidade.

Já vi muitos jogos com estádio lotado e torcida vibrante mesmo quando o time só merecia vaias. Torcedores europeus também ficam com raiva, voltam de cabeça quente para casa e reclamam de tudo. Mas, de um modo geral, nunca deixam de ajudar o time durante as partidas. Costumam jogar junto.

Notem que falo de uma situação extrema, de péssima campanha. Não é o caso do Guarani de Osmar Loss. O time está em quarto lugar na classificação geral, à frente de São Paulo e Corinthians, dois grandes que conseguiu derrotar depois de décadas.

A campanha é empolgante? Não. O futebol é bonito? Não. O ataque é arrasador? Também não. Mas falamos de um clube que em 2013 fez a pior campanha de sua história no Paulistão. E que de 2014 a 2017 não conseguiu sequer passar da primeira fase da Série A2.

O Guarani voltou esse ano e está fazendo uma campanha dentro da expectativa. A batalha pela classificação será intensa e pode até ser que ela não venha, o que seria um fracasso. Mas o papel da torcida é ajudar o time e empurrá-lo às quartas. Se fracassar — como já fracassou na Copa do Brasil —, que se critique, vaie e se peça um novo treinador. Isso também é papel do torcedor.

Mas enquanto o Guarani estiver na briga, o lógico é apoiar. O torcedor que exige futebol bonito e envolvente do Bugre (ou de qualquer outro clube de orçamento semelhante) sempre ficará decepcionado. Notem que, no Paulistão, apenas o Santos mostra algo que podemos chamar de futebol bonito. Até o milionário Palmeiras está devendo atuações compatíveis com seus infindáveis recursos. São Paulo e Corinthians gastam milhões a mais e estão atrás do Guarani.

O futebol de sábado não foi bonito, longe disso. Mas Loss tem razão ao dizer que o torcedor que vai ao Brinco deve pensar mais no time antes de externar toda sua insatisfação. Afinal, a razão de ele estar no estádio é o desejo de ver o Guarani vencer, nem que seja no sufoco e com um gol contra de Max.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho