Publicado 25 de Janeiro de 2019 - 19h50

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Divulgação

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Ex-aluna da Unicamp faz sucesso em Hollywood

Los Angeles é uma cidade norte-americana e mundialmente conhecida como a capital do cinema, afinal nada se compara a Hollywood quando o assunto é a indústria cinematográfica. De acordo com informações da revista norte-americana Variety, o total das arrecadações domésticas dos títulos de Hollywood atingiu o astronômico montante de mais de US$ 12 bilhões somente em 2018. É no meio tanto glamour, que a brasileira Tatiane Leite vem se destacando profissionalmente e criando efeitos especiais em filmes recordes de bilheteria, como Homem-Formiga e a Vespa; Missão Impossível – Efeito Fallout; Animais Fantásticos: os crimes de Grindelwald e tantos outros.

A jovem, nascida em Santo André, no interior de São Paulo, construiu toda sua base acadêmica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), antes de seguir carreira nos Estados Unidos. Na universidade campineira, ela concluiu a graduação e o mestrado na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec), em 2012, após desenvolver um sistema para melhoria de atratividade de rostos em imagens. A tese, criada e patenteada por ela, foi publicada no Portfólio de Patentes da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), como “Software para tornar faces mais atrativas”.

Em entrevista exclusiva concedida ao Correio Popular, Tatiane disse que se deparou com desafios que abriram sua cabeça e sua forma de pensar ainda quando era uma aluna da Unicamp. “Enquanto eu estava desenvolvendo o mestrado, eu tive uma oportunidade de ir para uma das maiores conferências de computação gráfica do mundo, em Los Angeles. Eu sempre fui uma menina que tive muito interesse em estudar fora do País e foi depois desta conferência que a minha ficha caiu e eu pensei: aqui é o meu lugar”, comentou.

Ao concluir o mestrado, Tatiane fez as malas e foi estudar entretenimento na Universidade da Califórnia, onde se deparou com desafios além dos imaginados. “A competição por efeitos especiais é muito intensa, ao ponto deles estarem o tempo todo inovando, com ferramentas novas, softwares novos e buscando formas de desenvolver tecnologias para tornar o cinema mais atraente. Tudo isso, gera muitas mudanças o tempo inteiro, então você tem que estudar e se renovar sempre, porque isso é uma constante, É um desafio e tanto, mas ao mesmo, é uma coisa muito gostosa de se fazer pelo sentimento de você poder: explorar o novo, criar e reinventar coisas”, afirmou.

Apesar de já ter trabalhos importantes realizados no currículo, engana-se quem pensa que a jovem brasileira vai parar por aí. Somente para esse ano, ela já tem mais dois filmes cotados para bater recordes de bilheteria prontos e que tiveram o seu dedo na jogada. São eles, os tão aguardados longas-metragens: Vice e Rei Leão. “Um artista de efeitos especiais pode ter múltiplas funções. Tudo depende do projeto e da especialização que cada um quer seguir. Eu já trabalhei com projetos que são exclusivamente 3D: fiz iluminação e trabalhos com partículas para criar efeitos, como de explosão, água e fogo. Outra área que eu também faço é a de efeitos visuais transparentes, que são aquelas cenas que o público não acredita que uma determinada imagem foi editada, mas foi, como por exemplo: embelezamento e envelhecimento facial, por exemplo”.

Questionada sobre o Brasil e a Unicamp, Tatiane diz que sempre se emociona quando volta para o País. Segundo ela, Campinas, apesar de não ser sua cidade natal, é um lugar que ela aprendeu amar. “Faz muitos anos que não visito o Brasil. Sempre que dá eu gosto de vir para Campinas, porque morei muito tempo em Barão Geraldo enquanto estudava na Unicamp. Foram momentos muito especiais. Eu não tenho a menor dúvida de que se eu cheguei aonde eu cheguei hoje, foi porque a base que a Unicamp me deu foi a melhor possível”, afirma. “Mais do que o ensino, as amizades que construí e as histórias que vivenciei ficam guardadas comigo. É uma nostalgia e uma sensação muito engraçada quando volto e vejo como estão as coisas por aqui”, conclui Tatiane.

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Adagoberto F. Baptista