Publicado 25 de Janeiro de 2019 - 18h34

Por Adagoberto F. Baptista

Francisco Lima Neto

Da Agência Anhanguera

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Família de motoboy fala em descaso e processo contra a prefeitura

A família do motoboy Maurílio Torres Peres, 41, que morreu afogado anteontem, na Avenida Princesa dOeste, em Campinas, depois de ser arrastado pela enxurrada, acusa o Poder Público de descaso e avalia entrar com um processo contra a Prefeitura. Durante o velório, na tarde de ontem, no Cemitério dos Amarais, o clima era de inconformismo e revolta. Peres era casado e não tinha filhos, mas deixou duas enteadas de 12 e 15 anos, além de quatro irmãos, sendo um deles gêmeo e o pai de 75 anos.

O autônomo Donizeti Aparecido Torres, 52, irmão mais velho de Peres, afirma que a família não acredita em fatalidade e sim descaso. “É um descaso das autoridades, do prefeito, dos vereadores, dos irresponsáveis que não tomam providência. Há quantos anos vem acontecendo isso aí. Ameaça chover já tá inundando”, aponta.

Ele disse que espera providências por parte da Prefeitura para o irmão dele não seja apenas mais uma vítima. “Quero que analisem. Eles têm meios para isso, órgãos competentes. Faz uma engenharia bem-feita, faz bolsões, canalizem, faz áreas de escoamento. Tem como fazer. Por que não fazem?”, questiona.

O clima no velório era de revolta e incredulidade da família e amigos. Os outros irmãos do motoboy estavam sem condições de falar, chorando muito e questionando a tragédia. O irmão gêmeo dele era um dos mais abalados.

PROCESSO

Torres diz que avalia a possibilidade de processar a Administração Municipal por responsabilidade na morte do irmão. “Nós nem tivemos tempo de pensar nisso ainda. Foi tudo muito de repente. Tivemos que correr atrás de documentação de um lado para o outro para o enterro.Mas se houver a possibilidade vamos entrar na justiça sim porque é um descaso. Eles precisam pagar pelos erros deles”, acusa.

EMPREGO NOVO

No dia em que morreu, Peres completava uma semana no novo trabalho em uma autopeças, de acordo com familiares. “Ele estava muito feliz no emprego novo. Fazendo o que gostava. Ele estava na maior felicidade. Era difícil ele dizer que gostava de um trabalho, mas desse ele disse que adorou os colegas e os patrões”, está muito difícil de acreditar”, comenta Torres.

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Adagoberto F. Baptista