Publicado 25 de Janeiro de 2019 - 16h48

Por Adagoberto F. Baptista

FOTOS: CEDOC (pedi ao William Ferreira as capas antigas do Correio também)

Renato Piovesan

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

O histórico de tragédias decorrentes de temporais em Campinas é extenso. Muito antes da forte tempestade de 64 milímetros em cerca de 1h30 que causou a morte de um vigilante de 41 anos na Avenida Princesa dOeste e alagou dezenas de ruas e vias da cidade anteontem, o Correio Popular já havia noticiado em 12 de agosto de 1976 uma violenta chuva de granizo que aterrorizou os moradores.

O texto na capa enfatizou que "nunca a população assistiu a tal fenômeno e com tamanha violência como ontem pela manhã, causando sérios transtornos e apreensões" e que "não houve canto da cidade que não mostrasse a passagem de uma das mais violentas chuvas de granizo dos últimos tempos".

Em 3 de janeiro de 1990, o jornal destacou em sua manchete a "chuva do século". Na ocasião, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) contabilizou 138 milímetros de precipitação em um único dia, o equivalente a 138 litros de água despejados em cada metro quadrado de terreno – mais que o dobro do temporal da última quinta-feira. Como consequência, o então prefeito Jacó Bittar decretou estado de calamidade pública na época. A cidade foi devastada, com desabamento de casas, avenidas afundadas, estradas bloqueadas e cerca de 2,5 mil pessoas desabrigadas.

Em fevereiro de 2003, uma forte chuva deixou quatro mortos e 150 desabrigados. Só em uma casa no bairro Parque Imperador, a Guarda Municipal localizou três corpos de vítimas de afogamento: uma criança, uma mulher de 20 anos e um homem de 50 anos. No Jardim Tamoio, uma mulher foi sugada por uma tubulação de esgoto e morreu. Já na Avenida Princesa dOeste, a mesma onde ocorreu a morte por afogamento anteontem, um sargento do Corpo de Bombeiros teve parada cardiorrespiratória depois de ajudar a salvar um frentista que foi arrastado pela enchente e estava ilhado na via, mas sobreviveu. Até o saguão do Aeroporto Internacional de Viracopos foi tomado pela água naquela tarde.

Mais recentemente, em 2016, uma microexplosão arrasou diversos bairros como Taquaral, São Quirino e Jardim Nossa Auxiliadora, além do Distrito de Sousas. Uma nuvem carregada de ar, água, granizo e acompanhada de ventos intensos que atingiram até 120 km/h deixou um enorme rastro de estragos em Campinas, com cinco pessoas levemente feridas. Na época, o temporal destruiu parte do telhado do Galleria Shopping e as vitrines de algumas lojas. Ainda houve alagamentos de vias e de veículos, queda de ao menos 120 árvores, desabamentos, destelhamentos de dezenas de casas e interrupção de energia elétrica. No ano seguinte, em novembro de 2017, um corretor de imóveis morreu ao tentar ajudar uma família cujo carro era arrastado pela enxurrada na Avenida Orozimbo Maia.

Celebridade

Nem mesmo as celebridades escapam da força das enchentes de Campinas. Em 2003, o ex-jogador de futebol Neto arriscou a sua vida ao salvar crianças e mulheres que estavam em uma Kombi escolar durante uma enchente em frente ao estádio Brinco de Ouro, do Guarani - ele era dirigente do clube na época. Em março de 2016, a cantora Sandy estava a caminho do Aeroporto Internacional de Viracopos, onde embarcaria para o Rio de Janeiro, mas perdeu o voo após seu carro ter ficado preso numa enchente embaixo do viaduto do anel viário Magalhães Teixeira.

Dias depois, num programa de TV, a artista desabafou: "A gente levou um susto daqueles! Foram uns momentos de muita tensão, porque a água começou a entrar no carro e o carro não abria, o carro é automático e blindado, então as portas não abriam, travaram. Aí deu pane geral no carro". Sandy e sua mãe foram resgatadas por um gerente de restaurante que estava próximo do local.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista