Publicado 11 de Janeiro de 2019 - 14h43

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Leandro Torres

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Várias avenidas e ruas de Campinas terão suas velocidades máximas reduzias ao longo do ano de 2019. A informação foi revelada pelo secretário de Transportes e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Carlos José Barreiro, em entrevista concedida, em seu gabinete, de forma exclusiva, para o Correio. “O trânsito é a principal causa de morte no mundo e mata mais que doenças do coração e o câncer. Vamos estudar e abaixar a velocidade de várias vias estratégicas ao longo de 2019. O nosso objetivo é a preservação da vida humana”, explicou.

Em janeiro de 2018, a Barreio também disse, em entrevista exclusiva concedida ao Correio, que diminuiria a velocidade máxima de quatro importantes avenidas da cidade: João Jorge, Alberto Sarmento, Amoreiras e Prestes Maia, que passariam a ter as suas velocidades máximas reduzidas de 60 km/h para 50 km/h ainda no final daquele mês. O processo seria feito de maneira gradual na época e novas avenidas também teriam as suas velocidades reduzidas ao longo de 2018. A medida, contudo, foi barrada pelo Prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), um dia depois da matéria ter sido publicada pelo jornal. Segundo Jonas, era preciso fazer um estudo técnico mais avançado antes da implementação da medida.

No próximo dia 23 de janeiro, Carlos José Barreiro, completa cinco anos a frente da Emdec. Em seu gabinete, ele recebeu a reportagem do Correio e foi questionado sobre os principais temas que envolveram sua administração e que interessam diretamente a população. Confira os principais trechos da entrevista.

Correio Popular: O BRT é uma obra pública de grandes dimensões e que promete trazer melhorias para o escoamento do trânsito de Campinas. Como está o andamento desta obra?

Barreiro: O BRT é hoje o maior projeto público em andamento do Brasil e para Campinas é a maior obra pública já realizada nos últimos 40 anos. São 36 km de corredores que custarão quase meio bilhão de reais. Primeiro nós fizemos uma licitação para o projeto básico. Terminado isso, nós achamos que seria melhor fazer uma licitação em conjunto – projeto executivo e obras. Fizemos isso para ter uma maior velocidade de realização do empreendimento. Hoje, a obra está adiantada em relação ao cronograma original. A previsão inicial de conclusão é junho de 2020, mas se continuarmos assim, é possível entregar até antes do prazo.

Muitas pessoas estão reclamando do trânsito que se forma nas regiões que estão recebendo as obras do BRT. A Emdec não deveria ter planejado melhor essa questão de fluidez de trânsito nessas regiões antes de começar a realizar as obras, a fim de evitar grandes congestionamentos, sobretudo em horários de pico?

O BRT é uma obra que impacta bastante a cidade e eu tenho noção disso. Ela abrange as principais vias de trânsito de Campinas, que são as avenidas das: Amoreiras, Ruy Rodrigues e John Boyd Dunlop, onde há um volume diário médio de veículos bastante elevado. Então, quando você vai lá para fazer uma obra desta dimensão, você já tem que ter em mente que isso vai trazer algum tipo de impacto no trânsito dessas regiões. Essa questão do trânsito é algo que já era previsto por nós.

Quando o senhor assumiu a Emdec, o preço da passagem de ônibus era de RS3,00 e agora é de R$ 4,70. Na sua posse, o senhor disse que todo empresário tem o objetivo de ter lucro, mas que a Emdec respeitaria a população e encontraria um equilíbrio no preço das passagens. Que equilíbrio financeiro é esse que a passagem sobe mais de 50% em quatro anos e os ônibus continuam todos sucateados?

Não tem como o preço da passagem ser mais barato do que isso. Hoje, no contrato de concessão que temos, qualquer melhoria que eu faça tem um custo e tem que sair do bolso de alguém. Ela só consegue ser paga de duas formas: aumentando o subsídio ou a passagem de ônibus. Infelizmente, não temos muitas opções. Porém, lançaremos uma nova licitação, ao que tudo indica, em março. Nessa nova licitação, uma das melhorias que nós já vamos colocar no contrato é a implantação de Wi-Fi e ar-condicionado na maioria dos ônibus.

E o preço vai subir por causa disso?

A princípio nós vamos manter a tarifa (de ônibus) no valor que ela está (RS 4,70). Não vamos aumentar a tarifa e vamos manter tudo como está funcionando. Nós estamos finalizando os nossos estudos, mas a ideia é manter: tanto o valor da tarifa quanto o valor dos subsídios. (…) Temos uma expectativa positiva para o ano de 2019 com relação a economia, o que deve ter um impacto direto no transporte público.

O senhor tem recebido muitas criticas de motoristas de transportes por aplicativos que condenam a decisão da Emdec de obrigá-los a usarem um adesivo identificatório nas portas dianteiras de seus veículos. A falta de segurança é o principal argumento deles. O senhor não acha que a Emdec burocratiza demais um sistema como esse?

Nós entendemos que a identificação nos veículos é fundamental e ela não vai ser retirada em hipótese alguma. Esse objeto permite que qualquer cidadão identifique se um veículo está fazendo o serviço de transporte por aplicativo ou não. Além disso, ele facilita a fiscalização dos chamados transportes clandestinos, que ainda existem na cidade. São pessoas que não estão cadastrados em nenhum aplicativo e querem chegar no aeroporto ou na rodoviária para pegar passageiros inocentes. Nós queremos pegar esses caras e as placas de identificação são fundamentais para ajudar nessa busca.

Em quatro anos, a sua gestão aplicou mais de 2,3 milhões de multas em Campinas. Uma média de mais 575 mil multas por ano. Nenhuma outra gestão chegou perto de multar tanto quanto a sua. O que o senhor tem a dizer a respeito do termo Indústria da Multa?

Primeiro que nós estamos comparando coisas diferentes. A cidade ela cresce quase 2% ao ano na quantidade de veículos em circulação e Campinas hoje é um município que tem um registro de aproximadamente um veículo por habitante. Além disso, no meu governo nós aumentamos a capacidade de fiscalização.

O Ministério Público abriu um processo para investigar o senhor, pela aplicação de ao menos 90 multas de trânsito desde 2016. Nessa ação, o promotor, que cuida do caso, disse que o que senhor não possui competências técnicas para aplicar multas. Em dezembro, na Câmara Municipal, o senhor bateu o pé e se defendeu afirmando que pode multas as pessoas. Essa atitude não é contraditória, na medida em que, o senhor não possui nenhum curso preparatório para ser um agente de trânsito e também não anda por aí uniformizado?

“A minha atuação é totalmente legitima. Eu sou a autoridade máxima do trânsito em Campinas e, por isso, tenho a permissão para aplicar multas dentro do município sempre que houvesse necessidade. O Código de Trânsito Brasileiro (artigo 281) é bastante claro ao enfatizar que as infrações devem ser lavrada pela autoridade de trânsito ou agente. Em Campinas, o secretário é a autoridade máxima do trânsito”.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista