Publicado 11 de Janeiro de 2019 - 12h33

Por Daniel de Camargo

Daniel de Camargo

Da Agência Anhanguera

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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Wesley Álvaro Monteiro Aguiar recebeu o título de cidadão campineiro em 17 de agosto de 2018. Aos 64 anos, o mineiro de Belo Horizonte atua como investigador da Polícia Civil no 4º Distrito Policial da cidade, localizado no Taquaral. A honraria concedida a pessoas que prestaram serviços relevantes ao município, entretanto, foi conferida pelas suas realizações em prol da saúde pública e não pelos crimes resolvidos. Desde 2008, Aguiar preside a Organização Não Governamental (ong) Campinas Contra o Câncer de Mama (CCCM). Por meio da iniciativa, já foram realizados aproximadamente 3,5 mil exames. Ao todo foram feitas 1.141 mamografias, 925 ultrassons, 854 exames de raio x e 534 ressonâncias magnéticas.

Segundo Aguiar, a ong foi criada para "promover a saúde, prevenir contra a doença, tratar e fornecer subsídios para o processo de reabilitação das pacientes, visando proporcionar uma qualidade de vida mais digna, resultando inclusive em uma maior autoestima". As análises e diagnósticos acontecem por meio de mutirões gratuitos. O investigador afirma que o trabalho social desenvolvido é muito mais amplo. "Nós também ajudamos algumas comunidades carentes e outras instituições como a Associação Presbiteriana de Ação Social (Apas), situada no distrito de Sousas. Nesses lugares, realizamos atendimentos bucais nas crianças, bem como a doação de alimentos e palestras", disse.

Aguiar relembra que tudo começou em meados de 2006. Na época, ele foi convidado para ajudar na divulgação de uma caminhada contra o câncer de mama. De acordo com o policial civil, o evento foi um sucesso. Nesse período, ele conheceu alguns professores e alunos da Escola Estadual Professor Adiwalde de Oliveira Coelho, localizada no Taquaral. Após algumas conversas, surgiu o primeiro projeto. Em suma, promover palestras para pais e filhos incentivando a prevenção contra a patologia. A ação rapidamente se propagou para outros colégios

Em seguida, a ong foi instituída e deu-se início a realização dos exames. "As mulheres faziam fila nos postos de saúde. Nossa intenção foi ajudar a desafogar essa demanda, porque o poder público não supria, na oportunidade, e continua não suprindo rapidamente essa necessidade", afirmou. Aguiar recorda que logo após o início dos mutirões, a população passou a pedir socorro também em outras especialidades médicas.

Aguiar frisa que os números alcançados não seriam possíveis sem a parceria com médicos e outros profissionais da saúde, que abrem mão do retorno financeiro e investem tempo na causa. "Eles atendem a população com um sorriso estampado no rosto", elogia. Entre os especialistas que integram esse ‘time do bem’ estão cardiologistas, fisioterapeutas, ginecologistas, pediatras, entre outros.

"A ong não recebe nenhum aporte financeiro da Prefeitura ou do Estado. Só temos sede para efeito de cadastro no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)", comenta. Algumas empresas, porém, contribuem arcando com o custo de camisetas e doando frutas, entre outros, para eventos como passeatas. O trabalho desenvolvido contempla ainda, conforme o inciso V do artigo II do estatuto da ong, a atribuição de "levar informação de cunho jurídico dando ênfase aos direitos da mulher acometida pelo câncer de mama". Para tal, há também a parceria com advogados, que também cooperam de forma voluntária.

BOX: SAIBA MAIS

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. O câncer de mama é o tipo de doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, informou, em nota, que a previsão para 2018, indicava o surgimento de quase 60 mil novos casos de câncer de mama no Brasil em 2018. Os números reais ainda não foram contabilizados. "A doença também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total", diz trecho da nota. O Ministério da Saúde oferece atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

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