Publicado 11 de Janeiro de 2019 - 11h41

Por Adagoberto F. Baptista

Campinas

Número de acidentes envolvendo animais peçonhentos cresce 30%

Lauro Sampaio

A Vigilância de Zoonoses de Campinas registrou 1604 ataques de animais peçonhentos (cobras, aranhas, lagartas, abelhas,escorpiões e taturanas) nos últimos quatro anos (2015, 2016, 2017 e 2018), o que dá uma média superior a 400 acidentes por ano.

Em 2017, Campinas registrou 341 acidentes envolvendo moradores da zona urbana O recorde foi em 2015, com 479 casos.. Até o dia 20 de dezembro de 2018 foram contabilizados 453 registros. Em 2016, foram 331 notificações. De 2018 para 2017 o aumento foi pouco superior a 30%.

Para a Coordenadoria de Vigilância de Zoonoses de Campinas, Helen Fagundes Costa Telli, os números, porém, não costumam expressar a realidade,, porque há muita subnotificação em casos de acidentes com animais peçonhentos, ou seja, pessoas que são picadas e não procuram atendimento médico, sendo que isso é até comum nas áreas rurais.

Ela explicou que na lista de animais peçonhentos são inseridos até mesmo lagartas venenosas e abelhas.

"É pouco comum que uma pessoa picada por uma quantidade reduzida de abelhas vá procurar atendimento no posto de saúde", afirma.

Outra motivo apontado por ela para o aumento das notificações de acidentes com animais peçonhentos têm a ver com a maior procura por atendimento médico por pessoas picadas por escorpiões e uma maior conscientização dos profissionais de saúde de que é preciso registrar os casos. Ela lembrou que, no último dia 5 de dezembro, a pasta realizou uma campanha de capacitação no município sobre o tema. Outro fator apontado pela coordenadora pela alta dos acidentes são as altas temperaturas que ajudam na circulação desses animais pelas áreas urbanas invadindo casas e terrenos urbanos.

"As altas temperaturas oferecem maior oferta de alimentos para esses animais, como ratos no caso de serpentes e baratas no caso de escorpiões"., revelou.

A coordenadora disse que quando a pessoa sofre um acidente na cidade e procura uma unidade de saúde e é constatada a gravidade ou atenção no caso, o paciente é encaminhado para o CCI (Centro de Controle de Intoxicações) da Unicamp para receber o soro e demais procedimentos médicos. Porém, segundo estudo da pasta, é diagnosticado que em 90% dos casos não é necessário a aplicação do soro.

Em Campinas, nos últimos quatro anos, 1413 acidentes foram considerados de natureza leve, 102 de ordem moderada e apenas 13 de natureza grave.

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Acidentes com escorpiões são a maioria

A Vigilância de Zoonoses de Campinas agora dispõe de números estatísticos tipificando os tipos de animais que provocaram acidentes. Em Campinas, a lista é liderada com folga pelos escorpiões, com 806 acidentes nos últimos quatro anos, seguido por aranhas (28O), abelhas (114), serpentes (40). A estatística apontou ainda que não foram informados pelos pacientes durante os acidentes 209 casos.

O estudo também trouxe as regiões da cidade em que ocorreram com mais frequência esses ataques: Região Sudoeste (115), Leste (113), Norte (93), Sul (63), Noroeste (63) e Sul (6), perfazendo um total de 453 registros.

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Peculiaridades

Os acidentes com animais peçonhentos, segundo Helen, têm muita peculiaridades, sendo que, no caso dos escorpiões, um dos mais temidos, há necessidade de evitar acúmulo de lixo, sujeira, ralos abertos ou mal tapados, muita umidade no ambiente, janelas e portas abertas próximas a matas e restos de materiais de construção, além da presença de baratas, que é o alimento principal desses bichos.

Em Campinas há duas espécies de escorpiões circulando, o tityus serrulatus, o escorpião amarelo e que tem um veneno muito potente, e o tityus bahiensi, o de cor marrom escura e que causa o maior número de acidentes no Estado de São Paulo.

A atenção, em caso de picadas de cobras, aranhas ou escorpiões, é redobrada para crianças abaixo de 7 anos, idosos e pessoas com doenças cardíacas ou outras patologias consideradas graves.

A rota de circulação de cobras, aranhas e lagartas venenosas também foi traçada em Campinas pelas autoridades sanitárias."As cobras, como cascavel e coral, gostam muito de área de matas e são encontradas muito em APPs em Campinas. As aranhas, tipo armadeiras, são encontradas em jardins, e as lagartas adoram coqueiros e palmeiras. As picadas dessas lagartas são muito dolorosas e o a atuação do veneno delas é equiparada a do escorpião, podendo haver necrose no tecido atingido.

Moradores vizinho de cemitério sofrem com escorpiões

O Correio apurou na tarde de hoje, sexta-feira, 11, que pessoas que moram próximas a cemitérios sofrem com a invasão e ataques de escorpiões. Na rua Abolição, não foi difícil encontrar um morador que se queixasse do problema.

O vidraceiro Humberto Carlos de Oliveira, 53, disse que a invasão de escorpiões em sua casa era tão expressiva que ele teve que colocar galinhas no quintal para abater os bichos. "Minha irmã chegou a pegar mais de 40 escorpiões e guardar numa garrafa plástica (foto de arquivo). Agora, com as galinhas, a presença de escorpiões diminuiu".

As irmãs Ariela e Inae Francisco Paulino, que moram na mesma rua, relataram que pegaram dois escorpiões entre ontem, quinta-feira, 10, e hoje, sexta-feira, 11. "Um estava na porta do banheiro e era grande e hoje cedo meu pai matou um pequeno", disse Ariela, 23.

Para elas, o fato de residirem perto do sepulcrário explicam a presença desses animais.

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Adagoberto F. Baptista