Publicado 12 de Janeiro de 2019 - 5h30

A eventual saída do Brasil do Acordo de Paris, conforme cogitado pelo governo Jair Bolsonaro, será negativa para o País e para o agronegócio, segundo avaliação do diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), engenheiro agrônomo Luiz Cornacchioni.

“Quem quer sair do Acordo de Paris é porque nunca exportou nada”, disse. Em 2018, o setor vendeu mais de US$ 100 bilhões em produtos para outros países. “Em muitas questões envolvidas no agronegócio, não é preciso apenas ser sustentável. Nós somos. Mas também precisamos mostrar que somos”, disse ele. “Muitas vezes, a gente perde negócios apenas por causa da imagem que temos lá fora”. O Brasil assinou o acordo em abril de 2016.

Para Cornacchioni, sair do acordo climático, que estabeleceu a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC, até 2100, pode prejudicar o País nas negociações comerciais. “É simples. Se tirarmos a sustentabilidade da equação, ela não vai fechar”.

Ele defendeu, ainda, a necessidade de o Brasil respeitar as questões ambientais e as certificações internacionais. “Isso não afeta em nada nossa soberania e ainda mostra que temos boa vontade. Temos a oportunidade de ser protagonistas no agronegócio e ser relevantes nessas discussões."

Segundo Cornacchioni, a Abag e entidades como a Apex-Brasil, a Sociedade Rural Brasileira e a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) têm promovido iniciativas no Exterior para mostrar casos de sucesso do agronegócio brasileiro, como a produção de biocombustíveis e projetos de pecuária sustentável.

Vai ficar

Ontem, , o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o Brasil deverá permanecer no Acordo de Paris. “Não precisamos sair do acordo do clima. O que precisamos é apenas ter cuidado e saber identificar oportunidades de avanços em parcerias e recursos que decorram dessa agenda e, por outro lado, identificar riscos de ingerência internacional sobre o território, a produção agropecuária e o patrimônio genético, que temos que evitar”, disse. (Do Estadão Conteúdo)