Publicado 12 de Janeiro de 2019 - 19h05

O realismo fantástico de O Sétimo Guardião deu um grande nó na cabeça de José Loreto. Reservado para a novela desde o início de 2018, o ator recebeu os primeiros textos da trama e assume que demorou a entender a proposta de Aguinaldo Silva. “As novelas hoje em dia refletem as ruas, o cotidiano. Então, quando li sobre uma cidade sem telefonia celular, com uma fonte milagrosa e um gato onipresente, achei tudo muito estranho”, explica, aos risos, o intérprete do mimado Júnior. Ao se aprofundar na leitura, entretanto, Loreto começou a perceber o subtexto que se desenvolve no enredo cheio de mistérios e segredos, que marca a volta do autor ao gênero que o fez famoso a partir de clássicos como Pedra Sobre Pedra e A Indomada. “Na infância, vivia na rua e não prestava atenção às novelas. Corri para ver os vídeos no Youtube e refrescar a memória. São novelas que conseguem divertir e fazer o público refletir. Os problemas do dia a dia estão todos ali, mas com uma cobertura mais sofisticada”, analisa.

O ator consegue enxergar de forma muito clara a função de seu personagem dentro do contexto mais analítico da atual trama das nove. Filho do prefeito Eurico e da dondoca Marilda, personagens de Dan Stulbach e Letícia Spiller, Júnior é o típico rapaz abastado do interior que nunca recebeu um “não” na vida. Cheio de si, nutre um amor platônico e quase doentio, por Luz, protagonista de Marina Ruy Barbosa. E é a partir dessa relação não-correspondida que o personagem insere a temática do machismo em O Sétimo Guardião. “Júnior acha que a Luz é propriedade dele, que ela está apenas fazendo jogo duro, mas que vão terminar juntos. Então, rola perseguição, assédio e outras táticas absurdas para que ele sempre tenha algum domínio sobre ela.” Para Loreto, o personagem é um grande recado sobre como o público masculino não deve se portar com suas possíveis pretendentes. “Não existe essa de uma pessoa ser dona de outra”, destaca, colocando em prática os seis anos que se dedicou ao programa Amor e Sexo.

De topete, calça justa, jaqueta de couro e passeando a bordo de uma Mercedes conversível vintage pelas ruas da fictícia e interiorana cidade de Serro Azul, Júnior é o típico personagem de composição que Loreto tanto gosta. “É bacana quando a gente pode buscar e viajar nas referências. Com a ajuda da direção e das equipes técnicas, fui montado um verdadeiro mosaico para o papel”, explica o ator, que se inspirou em filmes americanos produzidos ou ambientados na década de 1950, em especial na postura de James Dean no clássico Juventude Transviada, de Nicholas Ray, e na energia de John Travolta no musical Grease - Nos tempos da Brilhantina, de Randal Kleiser. Apesar das atitudes de bad boy, Loreto descarta que Júnior siga pelo caminho da total vilania. “Ele só é meio perdido mesmo.”

Natural de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, Loreto tinha 20 anos quando passou no teste para viver o Marcão na temporada de 2005 de Malhação. Depois de passar dois anos na produção, o ator pensou que logo encontraria um novo personagem na Globo, mas acabou sem contrato com a emissora. Por conta disso, assinou com a Record, onde atuou na trash e bem-sucedida saga de Os Mutantes - Caminhos do Coração. Em 2009, de volta à Globo com vínculo por obra, fez pequenas participações em séries como Força-Tarefa e Macho Man, até que entrou para o elenco fixo do sucesso Avenida Brasil. Na pele do descolado Darkson, teve seu grande encontro com o público e com Débora Nascimento, sua esposa até hoje. “Essa novela mudou a vida de muita gente. Foi depois dela que as portas se abriram para mim. E foi onde comecei a namorar com a mulher da minha vida”, entrega o ator, que é pai da pequena Bella, de apenas 9 meses. (Da TV Press)