Publicado 13 de Janeiro de 2019 - 5h30

A Vigilância de Zoonoses de Campinas registrou 1.604 ataques de animais peçonhentos (cobras, aranhas, lagartas, abelhas, escorpiões e taturanas) nos últimos quatro anos (2015, 2016, 2017 e 2018), o que dá uma média superior a 400 acidentes por ano.

Em 2017, o município registrou 341 acidentes envolvendo moradores da zona urbana. O recorde aconteceu em 2015, com 479 casos. Até o dia 20 de dezembro do ano passado, foram contabilizados 453 registros. Em 2016, 331 notificações. De 2018 para 2017 o aumento dos casos foi pouco superior a 30%.

Para a Coordenadoria de Vigilância de Zoonoses de Campinas, Elen Fagundes Costa Telli, os números, porém, não costumam expressar a realidade, uma vez que há muita subnotificação em casos de acidentes com animais peçonhentos, ou seja, pessoas que são picadas e não procuram atendimento médico, situação comum nas áreas rurais.

Ela explicou que na lista de espécies peçonhentas são inseridas até mesmo lagartas venenosas e abelhas. “É pouco comum que uma pessoa picada por uma quantidade reduzida de abelhas vá procurar atendimento no posto de saúde”, justifica.

Outra motivo apontado para o aumento das notificações de acidentes com animais peçonhentos têm relação com a maior procura por atendimento médico por pessoas picadas por escorpiões e uma conscientização dos profissionais de saúde de que é preciso registrar as ocorrências. Ela lembrou que, no último dia 5 de dezembro, a Coordenadoria realizou uma campanha de capacitação no município sobre o tema.

Outro fator apontado pela coordenadora pela alta dos casos são as altas temperaturas do Verão que ajudam na circulação desses animais pelas áreas urbanas, invadindo casas e terrenos urbanos. “As altas temperaturas oferecem maior oferta de alimentos para essas espécies, como ratos, no caso de serpentes, e baratas, no caso de escorpiões”, revelou.

Elen explicou que, quando a pessoa sofre um acidente na cidade e procura uma unidade de saúde e é constatada a gravidade ou atenção no caso, o paciente é encaminhado para o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para receber o soro e demais procedimentos médicos. Porém, segundo estudo da Coordenadoria, a aplicação do soro não é necessária em 90% das ocorrências.

Em Campinas, nos últimos quatro anos, 1413 acidentes foram considerados de natureza leve, 102 de ordem moderada e apenas 13 de natureza grave.

Escorpiões

A Vigilância de Zoonoses de Campinas agora dispõe de números estatísticos tipificando os tipos de animais que provocaram as ocorrências. Em Campinas, a lista é liderada com folga pelos escorpiões, com 806 casos nos últimos quatro anos, seguido por aranhas (28O), abelhas (114) e serpentes (40). A estatística apontou ainda que em 209 casos, não foram informados os animais envolvidos nos acidentes.

O estudo também trouxe as regiões da cidade em que ocorreram com mais frequência esses ataques: Região Sudoeste (115), Leste (113), Norte (93), Sul (63), Noroeste (63) e Sul (6), perfazendo um total de 453 registros.

Peculiaridades

Os acidentes com animais peçonhentos têm muita peculiaridades, sendo que, no caso dos escorpiões, um dos mais temidos, há necessidade de evitar acúmulo de lixo, sujeira, ralos abertos ou mal tapados, muita umidade no ambiente, janelas e portas abertas próximas a matas e restos de materiais de construção, além da presença de baratas, que é o alimento principal desses bichos.

Em Campinas há duas espécies de escorpiões circulando, o Tityus serrulatus, o escorpião amarelo e que tem um veneno muito potente, e o Tityus bahiensi, o de cor marrom escuro e que causa o maior número de acidentes no Estado de São Paulo.

A atenção, em caso de picadas de cobras, aranhas ou escorpiões, é redobrada para crianças abaixo de 7 anos, idosos e pessoas com doenças cardíacas ou outras patologias consideradas graves.

A rota de circulação de cobras, aranhas e lagartas venenosas também foi traçada em Campinas pelas autoridades sanitárias. “As cobras, como cascavel e coral, gostam muito de área de matas e são encontradas muito em APPs em Campinas. As aranhas, tipo armadeiras, são encontradas em jardins, e as lagartas adoram coqueiros e palmeiras. As picadas dessas lagartas são muito dolorosas e o a atuação do veneno delas é equiparada a do escorpião, podendo haver necrose no tecido atingido.

Morar perto de cemitério aumenta o risco

A reportagem do Correio Popular apurou na tarde da última sexta-feira que pessoas que moram próximas a cemitérios sofrem com a invasão e ataques de escorpiões. Na rua Abolição, não foi difícil encontrar um morador que se queixasse do problema. O vidraceiro Humberto Carlos de Oliveira, de 53 anos, disse que a invasão de escorpiões em sua casa era tão expressiva que ele teve que colocar galinhas no quintal para abater os bichos. “Minha irmã chegou a pegar mais de 40 escorpiões e guardar numa garrafa plástica. Agora, com as galinhas, a presença de escorpiões diminuiu”.

As irmãs Ariela e Inae Francisco Paulino, que moram na mesma rua, contaram que pegaram dois escorpiões entre a última quinta-feira e sexta-feira. “Um estava na porta do banheiro e era grande. Depois, meu pai matou um pequeno”, disse Ariela, de 23 anos. Para elas, o fato de residirem perto do sepulcrário explica a presença desses animais. (LS/AAN)