Publicado 12 de Janeiro de 2019 - 5h30

Subvertendo totalmente a ordem democrática, Nicolás Maduro tomou posse para o segundo mandato presidencial na Venezuela, dando continuidade a um plano político que é responsável por jogar o seu país em uma crise econômica absurda, com uma inflação que já ultrapassa 1.000.000% ao ano, que se converteu em verdadeira crise humanitária que tem provocado ondas de migração de sua população para as nações vizinhas. Alçado ao poder pela força, Maduro foi reeleito em maio do ano passado com quase 70% dos votos válidos. A oposição representada pela coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) se recusou a participar do pleito por considerar o processo uma "fraude".

Maduro tem se mantido no poder através de manipulações políticas, como a criação de uma Assembleia Nacional Constituinte, depois de o governo ter perdido, em 2015, a maioria com a qual contava na Assembleia Nacional, despojada de suas funções desde que o novo órgão legislativo foi criado. Assim, garantiu uma pretensa legitimidade constitucional, ao tempo em que silenciava a imprensa e prendia e torturava opositores. A controvera posse contou apenas com a presença de parceiros como Rússia, China e Turquia, com claros interesses no potencial petrolífero da região, e os aliados óbvios Bolívia, Cuba, El Salvador e Nicarágua. A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou resolução de declarar ilegítimo o mandato de Maduro. O Brasil se alinhou ao chamado Grupo de Lima, formado por 14 países latino-americanos, que, juntamente com os Estados Unidos e União Europeia, não reconheceram a reeleição.

Mas o País marcou presença com a presidente do PT Gleisi Hoffmann, que fez questão de ir à posse para demonstrar solidariedade do seu partido e condenar “a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários contra a Venezuela”, uma intervenção política que dividiu até mesmo seus companheiros. Difícil esperar racionalidade e espírito público da presidente do PT, que parece viver em um mundo diverso da realidade. Sequer se deu conta de que o Brasil não está mais sob sua guarda e a sociedade optou por um caminho bastante diverso do que eles propuseram no poder. Mesmo que a visita não tenha a chancela oficial, soa como uma afronta à política externa do País, que agora, mesmo aos trancos, começa a se alinhar com uma maioria de nações realmente preocupadas com a situação humanitária da Venezuela e as implicações de apoiar um protoditador como Nicolás Maduro e seus parceiros de infâmia.