Publicado 12 de Janeiro de 2019 - 19h30

Por AFP

Um tribunal peruano decidiu que o ex-procurador-geral Pedro Gonzalo Chávarry, investigado por crimes de acobertamento e outros, não poderá deixar o país por nove meses, informou neste sábado (12) o Poder Judiciário."Ordena-se o impedimento de saída do país por nove meses contra o ex-procurador da Nação, Gonzalo Chávarry Vallejos, investigado pelos supostos crimes de acobertamento real e outros", destacou o organismo no Twitter.A ordem ocorre a raiz de sua suposta participação na subtração de documentos, em 5 de janeiro, de um escritório lacrado pelo promotor José Domingo Pérez, no âmbito de uma investigação do partido Força 2011 (hoje Força Popular, liderada por Keiko Fujimori).O pedido de impedimento de saída do país foi apresentado na sexta-feira pela nova procuradora-geral, Zoraida Ávalos, que assumiu o lugar de Chávarry depois de sua renúncia, na terça-feira.Após assumir o cargo, Ávalos declarou em emergência o Ministério Público e ratificou o apoio às investigações do caso Odebrecht no combate à corrupção.Chávarry renunciou, assediado pelos protestos de cidadãos autodenominados indignados, que exigem seu comparecimento na Justiça por supostos vínculos com a organização criminosa judicial 'Os Colarinhos Brancos do Porto', e suas ações contra promotores da equipe especial do caso Odebrecht Rafael Vela e José Domingo Pérez.A crise interna na procuradoria peruana se aprofundou na quarta-feira passada, quando os promotores nomeados para substituir os destituídos Vela e Pérez rejeitaram a designação decidida por Chávarry em solidariedade a seus colegas.A equipe chefiada por Vela é encarregada da investigação sobre os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), que fugiu para os Estados Unidos e agora enfrenta um pedido de extradição; Ollanta Humala (2011-2016), que esteve preso por nove meses com sua esposa, Nadine; Alan García (1985-1990, 2006-2011), que buscou sem sucesso asilo na embaixada do Uruguai; e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que renunciou em março, sufocado por denúncias de corrupção.Chávarry é questionado porque considera-se que a suspensão de Vela e Pérez boicoteava um acordo judicial de colaboração eficaz (delação premiada) entre as Justiças brasileira e peruana para que os executivos da Odebrecht aportem as provas documentais de supostas propinas pagas a políticos locais em troca de favorecimentos.cm/gv/mvv

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