Publicado 25 de Janeiro de 2019 - 19h58

Por Francisco Lima Neto/AAN

Sepultamento nos Amarais de Maurílio Torres Peres (no destaque)

Francisco Lima Neto/AAN

Sepultamento nos Amarais de Maurílio Torres Peres (no destaque)

A família do motoboy Maurílio Torres Peres, 41, que morreu afogado nesta quinta-feira (24), na Avenida Princesa d’Oeste, em Campinas, depois de ser arrastado pela enxurrada, acusa o Poder Público de descaso e avalia entrar com um processo contra a Prefeitura. Durante o velório, na tarde desta sexta-feira, no Cemitério dos Amarais, o clima era de inconformismo e revolta. Peres era casado e não tinha filhos, mas deixou duas enteadas de 12 e 15 anos, além de quatro irmãos, sendo um deles gêmeo e o pai de 75 anos.

O autônomo Donizeti Aparecido Torres, 52, irmão mais velho de Peres, afirma que a família não acredita em fatalidade e sim descaso. “É um descaso das autoridades, do prefeito, dos vereadores, dos irresponsáveis que não tomam providência. Há quantos anos vem acontecendo isso aí. Ameaça chover já tá inundando”, aponta.

Ele disse que espera providências por parte da Prefeitura para que o irmão dele não seja apenas mais uma vítima. “Quero que analisem. Eles têm meios para isso, órgãos competentes. Faz uma engenharia bem-feita, faz bolsões, canalizem, faz áreas de escoamento. Tem como fazer. Por que não fazem?”, questiona.

O clima no velório era de revolta e incredulidade da família e amigos. Os outros irmãos do motoboy estavam sem condições de falar, chorando muito e questionando a tragédia. O irmão gêmeo dele era um dos mais abalados.

Torres diz que avalia a possibilidade de processar a Administração Municipal por responsabilidade na morte do irmão. “Nós nem tivemos tempo de pensar nisso ainda. Foi tudo muito de repente. Tivemos que correr atrás de documentação de um lado para o outro para o enterro.Mas se houver a possibilidade vamos entrar na Justiça sim. Eles precisam pagar pelos erros deles”, acusa.

No dia em que morreu, Peres completava uma semana no novo trabalho em uma autopeças, de acordo com familiares. “Ele estava muito feliz no emprego novo. Fazendo o que gostava. Ele estava na maior felicidade”, comenta Torres.

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