Publicado 26 de Janeiro de 2019 - 3h00

Por Carlo Carcani Filho

A diferença entre as cotas de TV dos quatro clubes grandes do Paulistão em relação aos seus 12 concorrentes é gritante. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos recebem R$ 17 milhões, mais do que o triplo do valor destinado à Ponte Preta (R$ 5 milhões) e cinco vezes mais do que os outros times do Interior (R$ 3,3 milhões). Não foi revelado até o momento se o Guarani ficou com a cota intermediária ou com a menor.

Só essa diferença já é significativa. Os grandes podem gastar em janeiro o que a Ponte teria para se manter em todo o primeiro trimestre. Na prática, a vantagem é bem maior, já que os grandes também arrecadam muito mais com bilheteria, sócio-torcedor e patrocínios.

Essa diferença não dá aos grandes apenas a possibilidade de montar elencos mais caros e qualificados. O caixa gordo permite que os quatro sofram menos com as aberrações do calendário do futebol brasileiro.

Teoricamente, Ponte e Corinthians se enfrentam hoje em Itaquera em condições de igualdade do ponto de vista da preparação física. Os dois times tiveram uma “pré-temporada” de apenas 20 dias e vão disputar hoje a terceira partida em um intervalo de apenas sete (Corinthians) ou oito (Ponte) dias.

É evidente que as duas equipes estão longe das condições físicas ideais. O cansaço maior afeta a qualidade das partidas e o risco de lesões pode comprometer a preparação de um ou outro atleta.

Os grandes, com elenco mais qualificados, conseguem rodar o time nesse período de competição que deveria ser apenas de preparação. Hoje mesmo o técnico Fábio Carille deve mandar a campo atletas que não atuaram nas primeiras rodadas.

Mazola pode fazer o mesmo com a Ponte Preta? Teoricamente, sim. Mas notem que a Macaca, com seus titulares, já disputou duas partidas contra Oeste e Ferroviária e não conseguiu marcar um gol. O que aconteceria se Mazola escalasse cinco ou seis reservas em Itaquera hoje?

Os donos da casa não têm essa preocupação. Entre os “reservas” do Timão hoje deve aparecer o argentino Boselli, bicampeão da Libertadores e autor de 131 gols em 231 jogos pelo Léon. Ele é o segundo maior artilheiro da história do clube mexicano. Carille também pode usar Pedrinho, jovem talentoso e que está na mira do futebol europeu.

A briga é desigual, mas todo ano será assim. O Corinthians não ganha um jogo oficial desde 17 de novembro, quando bateu o Vasco por 1 a 0, pela 35ª rodada do Brasileiro. Para manter o adversário em jejum, a Ponte Preta terá que superar os obstáculos que o orçamento e o calendário colocam em seu caminho.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho