Publicado 13 de Janeiro de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

A Conmebol anunciou mudanças no regulamento da Sul-Americana e da Libertadores de 2019. O número de objetos proibidos nos estádios subiu de 18 para 21. Agora, a lista também conta com bandeiras com mais de 1,5m de comprimento por 1m de largura. Assim, os bandeirões não poderão mais enfeitar os estádios.

O Corinthians se manifestou formalmente contra as medidas anunciadas ao enviar uma carta à Conmebol. O texto, assinado pelo presidente Andrés Sanchez, também critica a CBF por ser conivente com a decisão que, segundo o clube, “pune os quem têm menos para beneficiar os quem têm mais”.

O dirigente fez referência ao poder aquisitivo do torcedor porque a Conmebol também determinou que todos os ingressos para jogos das duas competições sejam vendidos pela internet, com lugares marcados e assentos.

Sanchez faz um apelo dramático para defender seu ponto de vista. Diz que os torcedores “pagam caro para ir a estádios desconfortáveis, com serviços de péssima qualidade, por imposição de burocratas do futebol latino-americano, que agem como se o fã fosse um estorvo e não a razão de ser do espetáculo”.

Eu também acho que os jogos devem ter bandeiras de todos os tamanhos, com mastros inclusive. Quanto maior a festa das torcidas, maior a qualidade do espetáculo. É melhor para os atletas, para os fãs que compraram ingresso e para os que acompanham pela TV.

Mas não acredito que o Corinthians tenha se manifestado por estar indignado com o tratamento oferecido pelos burocratas da Conmebol aos seus torcedores.

A preocupação não é com o bandeirão ou com o valor do ingresso. A única preocupação do Corinthians, acredito, é satisfazer os desejos dos torcedores mais violentos, os verdadeiros estorvos.

Em setembro de 2014, a “pedido” das torcidas organizadas, o Corinthians retirou os assentos numerados de um setor de seu então novíssimo estádio em Itaquera.

Em um mundo civilizado, seria aceitável que um setor das arenas tivesse torcedores em pé, sem assentos. Poderia ser um local destinado aos que não se incomodam de ficar duas horas em pé, cantando e pulando. Mas a nossa realidade é diferente.

O estúpido e inaceitável ataque da torcida do River Plate na final da Libertadores infelizmente não é o único episódio extremamente violento na história da competição. São muitos casos e os mais graves, claro, envolvem organizadas.

Vender ingresso apenas pela internet e com lugares numerados dificulta a ação dos cambistas (muitos deles integrantes das facções) e facilita a identificação de baderneiros. Os lugares numerados também dificultam a movimentação dos estorvos mais violentos, já que cada um teria que ficar em um assento específico. Isso dificulta a formação de grupos.

O futebol precisa de alegria, de festa, de bandeiras e também de paz nos estádios. Os clubes raramente se manifestam quando “fãs” provocam tumultos, estragos, brigas, e, não raro, mortes.

Nunca vi uma carta indignada e emotiva de dirigente pedindo mais segurança aos os torcedores depois de um incidente grave.

Bandeiras são bonitas e fazem falta ao futebol, mas não foi por elas que o Corinthians se manifestou.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho