Publicado 12 de Janeiro de 2019 - 1h00

Por Carlo Carcani Filho

A Federação Paulista de Futebol pisou na bola ao desprezar o critério técnico na definição do mando de campo na segunda fase da Copa São Paulo.

O regulamento prevê que caberá à organização “a designação dos mandos de campo, indicando os locais dos jogos de acordo com critérios técnicos, de segurança e/ou de logística”.

O próprio regulamento cita, em primeiro lugar, o critério técnico. Se assim fosse, a exemplo do que ocorreu nas últimas edições, o primeiro colocado de chave teria o direito de permanecer na mesma sede em que disputou as três partidas iniciais.

Não foi o que aconteceu com o Guarani, por exemplo. Líder da chave em Taquaritinga, o Bugrinho teve que viajar a Votuporanga para o jogo de ontem à tarde. Notem que o time local ficou em segundo, mas ainda assim teve a vantagem de jogar em casa contra os campineiros.

Mas digamos que a Federação tenha tomado essa decisão com base no que chamou de ‘critério de logística’. Afinal, com essa decisão, o Taquaritinga, segundo colocado da chave do Guarani, jogou em casa ontem contra o Internacional, outro líder que foi obrigado a se deslocar.

Mas como explicar o que a Federação fez com a Ferroviária? Líder de sua chave, a equipe teve que deixar Araraquara para se apresentar ontem à noite em Rio Claro, cidade de seu adversário, o Velo Clube.

A decisão foi tomada para que o São Paulo, segundo colocado do Grupo 7, permanecesse em Araraquara, onde enfrentou o Rio Claro. Qual foi o critério nesse caso? Atender os interesses do São Paulo?

Esse é o grande problema de usar regras diferentes para as mesmas situações. O correto seria manter o primeiro colocado de todos os grupos em suas sedes.

Além de beneficiar os times de melhor campanha, o que é justo, a Federação não abriria espaço para críticas. Embora não tenha mais o glamour de outros tempos, a Copinha é uma competição tradicional. Merece ser levada a sério, não apenas pelos jovens atletas que a enxergam como uma porta para o futebol profissional, mas principalmente pela Federação Paulista de Futebol.

A Copinha perdeu o charme do passado pelo inchaço (em 1980 teve 16 participantes, 112 a menos do que em 2019) e pela dificuldade de revelar grandes craques, como acontecia com frequência antigamente. Tomara que o prestígio restante não seja consumido pela incapacidade de se fazer uma tabela justa, seguindo critérios técnicos e nada mais.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho