Publicado 11 de Janeiro de 2019 - 2h00

Por Carlo Carcani Filho

Como os clubes de Campinas podem competir com concorrentes que às vezes pagam a um atleta mais do que eles gastam com todo o elenco? No Paulistão, Ponte Preta e Guarani vão concorrer com clubes de poderio financeiro incomparável.

O São Paulo contratou Pablo por R$ 26,6 milhões.

O Palmeiras tem tanto dinheiro que pode se dar ao luxo de abrir mão da cota de TV da Globo.

O Santos vendeu Rodrygo ao Real Madrid por R$ 172 milhões.

O Corinthians pagou uma multa de R$ 2,8 milhões ao Al Wehda para ter Fábio Carille de volta. E vai pagar ao treinador um salário de R$ 650 mil.

Esses números são inimagináveis para os profissionais que estão trabalhando na formação dos elencos campineiros. Na verdade, alguns dos melhores reforços anunciados até o momento no Brinco de Ouro e no Moisés Lucarelli são atletas que os grandes não quiseram nem mesmo para o banco de reservas.

Ou são muito jovens e foram emprestados para adquirir experiência em Campinas ou então simplesmente estão abaixo do padrão técnico exigido no Morumbi, no Parque São Jorge, no Palestra Itália e na Vila Belmiro.

É impossível superar adversários assim? A história recente mostra que não. O Guarani foi finalista do Paulistão em 2012 e a Ponte Preta chegou à decisão de 2017.

Repetir campanhas como essas sempre deve estar na mente de bugrinos e pontepretanos. Apesar do abismo financeiro, dá para chegar de vez em quando. Apesar de a expectativa das torcidas ser sempre a maior possível, o que os clubes precisam cumprir é a obrigação de realizar campanhas compatíveis com suas tradições.

Da mesma forma que não devem ser cobrados por campanhas inferiores às dos gigantes, Ponte e Guarani não podem se conformar com rendimento similar ao de times de menor tradição.

O papel de ambos é chegar às quartas de final e, depois, ver o que é possível fazer. A campanha de 2018 da Ponte foi decepcionante e perigosa. E o Guarani, rebaixado em 2013, só agora vai fazer sua estreia no Paulistão com grupos.

O trabalho que vem sendo realizado no momento — no mercado, na preparação física e nos treinos técnicos — será decisivo para que os times façam, no mínimo, o que se espera deles.

Até aqui, tenho a impressão que os dois estão formando elencos capazes de atingir essa meta. Mas a 1ª fase tem apenas 12 rodadas e daqui a oito dias os times estarão em campo. Aí sim será a hora de mostrar capacidade para figurar, ao menos, entre os oito melhores do Paulistão. 

Escrito por:

Carlo Carcani Filho