Publicado 08 de Dezembro de 2018 - 19h05

Fazer cinema no Brasil não é tarefa fácil. Conseguir patrocínio então, é um desafio para titãs. Mas nada disso intimidou os cineastas Rafael Santin e Henrique Sattin, velhos conhecidos de produções cinematográficas anteriores, que se uniram para concretizar o sonho de rodar o longa Sophia, cujas filmagens começaram dia 1º e seguem até 20 de dezembro em Campinas, Valinhos e Jaguariúna. Esta semana, diretores, equipe de produção e elenco receberam a imprensa no casarão histórico onde estão sendo rodadas grande parte das cenas – casa da família comandada pelo poderoso Heitor Magalhães e sua esposa Rebeca, personagens vividos pelo ator campineiro Sérgio Vergílio e pela global Glauce Graieb. O elenco principal conta ainda com a global Marjorie Gerardi (a protagonista Sophia), Tuna Dwek (Mothern-da GNT) e o ator argentino Juan Tellategui (Toda Forma de Amor – Canal Brasil), à frente de um elenco de 22 atores, 50 figurantes e equipe técnica formada por 45 profissionais das mais diversas áreas.

Para o diretor Henrique Sattin, apesar das dificuldades, fazer um filme independente dá mais “liberdade de criação”. “Cinema no Brasil não se faz apenas com lei de incentivo. Antes de tudo é preciso ter coragem. Em nosso caso, o que possibilitou a realização da produção foram as parcerias”, aponta Santin.

“Conseguimos muitas parcerias, inclusive do elenco que topou participar de um filme sem orçamento. Além disso, empresários, comerciantes e profissionais liberais se dispuseram a ajudar, senão com recursos financeiros, doando seus serviços”, reforça Sattin.

Segundo Santin, Sophia “é um filme sobre mulheres fortes”. Ele conta que, junto com Sattin, realizou vários curtas com histórias de homens. “Agora queria falar de mulheres fortes. Além da protagonista, o longa traz outras mulheres que se destacam na sociedade, na forma como são vistas pela família”, afirma.

Aliás, foi justamente esse recorte que levou Marjorie a aceitar o papel da protagonista. “O que me chamou a atenção no roteiro foi a força da união do feminino. As personagens Olga, Marcela, Rebeca e Sophia são mulheres extremamente interessantes e todas têm no fundo a mesma motivação, são do bem, são reais e guardam uma dignidade. O poder feminino que o filme traz é muito interessante para o artista”, diz, adiantando que o final é surpreendente. Glauce Graieb também destaca o protagonismo feminino do longa. “Rebeca é uma matriarca, mãe amorosa, preocupada com a família, forte e decidida.”

Escrito há dois anos, o embrião de Sophia nasceu do desejo de Santin de colocar em foco algumas situações vivenciadas em sua carreira na psicologia. “Como psicólogo e cineasta, desejei com esse filme mergulhar nas profundezas das relações entre as pessoas, relações muitas vezes doentias. Sabe aquela sensação que temos ao pensar 'a que ponto conhecemos as pessoas que estão próximas'. Muitas vezes, estamos com uma pessoa há anos e não conhecemos seu verdadeiro caráter e valores”, diz o diretor e autor do roteiro.

Na trama, Sophia, arquiteta jovem e sedutora, retorna ao Brasil em companhia do namorado Alexandre (Caio Magalhães), filho do poderoso Heitor Magalhães, fundador de um dos mais renomados escritórios de advocacia do País. Com seu jeito cativante, Sophia logo conquista toda a família, envolvendo as pessoas num jogo de sedução, dinheiro e poder, que traz à tona revelações sobre o passado misterioso do patriarca. Para Sérgio Vergílio, o personagem Heitor apresenta várias nuances. “Ele é um tanto sem escrúpulos. Um personagem muito interessante, o grande vilão da história”, afirma. Vergílio diz que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi uma de suas inspirações para o personagem. A expectativa é estrear Sophia até maio de 2019 e participar de festivais pelo país.