Publicado 08 de Dezembro de 2018 - 5h30

Campinas registra em média 1.700 denúncias de maus-tratos a animais por ano. Desse total, cerca de 350 ocorrências são confirmadas e resultam em ações de salvamento, busca e aplicação de multas aos infratores pela Prefeitura. Segundo informações passadas pelo diretor do Departamento de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Campinas (DPBEA), Paulo Anselmo Nunes Felippe, as principais ocorrências registradas são alojamento inadequado, animais presos em correntes e falta de alimento.

Na semana marcada pelo crime contra a cadelinha Manchinha, espancada no Carrefour, em Osasco (SP), a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal do Estado (Depa) divulgou dados deste ano que mostram que 8.162 denúncias do gênero foram registradas entre janeiro e início de novembro de 2018.

De acordo com o diretor do DPBEA, a violência contra animais não escolhe cor, credo e muito menos qualquer condição social. “Os maus- tratos com animais ocorrem nos mais diversos níveis da sociedade. Tanto com vira-latas quanto com Shih-tzu. Não importa a condição financeira ou o nível de escolaridade das pessoas”. Nunes Felippe explicou ainda que quando a Prefeitura descobre que uma ação de maus-tratos está acontecendo, multa o agressor e define um prazo para que a situação não volte a ocorrer.

Em caso de reincidência, o infrator é novamente multado — desta vez, com o dobro da pena — e assim, sucessivamente. Os casos de prisão também ocorrem, mas cabe à polícia julgar as ocorrências. “Se você achar que está acontecendo um crime contra um animal, como um espancamento, por exemplo, ligue para a polícia, que vai fazer o atendimento da ocorrência de imediato. Se for algo mais crônico, o ideal é ligar no telefone da Prefeitura, no 156, para que a gente possa verificar o que está acontecendo”, afirmou.

Na visão de Marjorie Rodrigues, presidente da ONG Operacão Resgate, a situação de maus-tratos a animais piora a cada dia no Brasil. Ela explica que atualmente 90% dos cães resgatados pela organização viviam sob regime de maus-tratos dos donos.

“Esses dias presenciamos o caso de uma poodle que foi abandonada na lata do lixo, no Satélite Iris, em Campinas. O dono amarrou as quatro patinhas dela, pôs em uma sacola e jogou no lixo. Uma pessoa que estava na rua percebeu, dias depois, que o lixo estava se mexendo e que a cachorrinha estava se debatendo. Ela está internada com tumor nas mamas e no anus há três meses”, comentou.

A presidente da instituição explicou ainda que a maioria dos crimes de violência envolve os donos do animal. Segundo ela, a violência e os maus-tratos vão muito além do apanhar. “Muitas pessoas pensam que ter um cachorro é só dar água e comida, mas se esquecem do resto”, afirmou: “A falta de cuidado na hora de dar banho, vacinar, dar atenção e passear, tudo é obrigação por parte dos responsáveis. Se uma pessoa quer adotar um animal de estimação, mas não tem o mínimo de responsabilidade, ela não pode ter um animal de estimação”, ressaltou Marjorie.

Grupos marcam manifestação para hoje

Grupos de proteção animal de Campinas marcaram para amanhã, às 9h, uma manifestação em frente à unidade Carrefour da rodovia D. Pedro I, no Parque Anhumas. Os manifestantes protestam contra a morte da cadelinha Manchinha — que no último dia 28 de novembro teria sido agredida por um funcionário do Hipermercado, na cidade de Osasco.

As denúncias de agressão contra o animal foram registradas nas redes sociais por pessoas que estavam no local no dia do incidente. Com o animal ferido, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) foi chamado, mas o animal não resistiu aos ferimentos e morreu.

Em nota, o Carrefour informou que repudia qualquer tipo de maus-tratos contra animais e que a equipe responsável pela segurança naquele dia foi afastada preventivamente, até a conclusão das investigações. De acordo com os relatos, o cachorro estava na unidade havia alguns dias e chegou a ser alimentado por funcionários.

O caso gerou grande comoção por todo Brasil e revolta nas redes sociais. O evento de amanhã criado pelo grupo Adotar Campinas no Facebook até a noite de ontem tinha mais de 275 confirmações e mais de 1,2 mil interessados. (HH/AAN)