Publicado 07 de Dezembro de 2018 - 21h20

Por AFP

Os Estados Unidos criticaram novamente nesta sexta-feira (7) um pacto migratório da ONU, a poucos dias de uma conferência internacional no Marrocos para respaldar o acordo. Em uma longa declaração nacional, os Estados Unidos disseram que o Pacto Global pela Migração Segura, Ordenada e Regular representa "um esforço das Nações Unidas para promover a governança global em detrimento do direito soberano dos Estados de administrar seus sistemas de imigração".O pacto não vinculante acordado em julho do ano passado tornou-se alvo de políticos de direita e populistas que o denunciaram como uma afronta à soberania nacional.Os Estados Unidos, que abandonaram as negociações em dezembro de 2017, expressaram preocupação de que os defensores do pacto de migração o usariam para desenvolver práticas aceitas e criar uma "lei branda" na área de migração.A declaração de três páginas dos Estados Unidos descreveu uma série de objeções ao documento, como uma cláusula segundo a qual a detenção de migrantes deveria ser "um último recurso", argumentando que isso era incompatível com a lei local.Os Estados Unidos também estão preocupados que o acordo "minimize o custo da imigração para os países de destino", gere "perda de oportunidades de emprego" para trabalhadores pouco qualificados e "tensões nos serviços públicos".A declaração dos EUA acontece no momento em que as Nações Unidas se preparam para receber delegações em uma conferência de dois dias no Marrocos, que começa na próxima segunda-feira, para apoiar o pacto, apesar de uma série de deserções.A Hungria retirou-se do pacto no ano passado e, desde então, Austrália, Israel, Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Áustria, Suíça, Bulgária, Bélgica, Letônia, Itália e República Dominicana renunciaram ao pacto ou expressaram fortes reservas.O pacto global estabelece 23 objetivos para aumentar a migração legal e gerenciar melhor o influxo, enquanto o número de pessoas que se deslocam globalmente aumentou para 250 milhões, ou seja, pouco mais de 3% da população mundial.Quando o acordo foi aprovado em julho, foi apresentado como um exemplo do sucesso diplomático da ONU alcançado sem os Estados Unidos, enquanto o presidente Donald Trump questiona a relevância da organização internacional.As Nações Unidas rejeitaram críticas ao pacto migratório, insistindo que o documento não é juridicamente vinculante e simplesmente um reconhecimento de que a cooperação internacional é necessária para lidar com a migração.Depois do Marrocos, o documento retornará à Assembleia Geral das Nações Unidas para aprovação em uma sessão marcada para 19 de dezembro.cml/mdo/rbv/mps/cc

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